Colunista Jeferson Miola sugere que decisão de Flávio Dino conteve ofensiva de André Mendonça, mas alerta para novas frentes contra Lula
Por Jeferson Miola (Colunista do
Brasil 247)
Jeferson Miola é articulista,
colunista do Brasil 247, integrante do Instituto de Debates, Estudos e
Alternativas de Porto Alegre (Idea) e ex-coordenador-executivo do 5º Fórum
Social Mundial.
Publicado em 10 de setembro de 2026
Lula, Flávio Dino e André Mendonça Crédito: Ricardo Stuckert/PR I Divulgação
A estratégia
golpista da extrema-direita no STF com as manipulações de André Mendonça para
impedir a reeleição de Lula e eleger Flávio Bolsonaro foi interceptada pelo
contragolpe de Flávio Dino.
Apesar disso, no
entanto, a dinâmica golpista não terminou; seus desdobramentos ainda são
imprevisíveis, mas a reação a tempo deteve o curso dos acontecimentos antes que
evoluíssem para um quadro irreversível e de consequências trágicas para nossa
democracia.
Ainda que
extremamente perigosa, esta não é a única ameaça à reeleição do presidente
Lula. E ela se sincroniza com outras ameaças que, ainda que possam ter centros
de comando distintos, confluem no objetivo comum de derrotar Lula, inclusive
por meio de operações criminosas.
A ameaça do golpe no STF
Ao longo dos meses
como relator que conduziu de modo enviesado os casos Master e INSS, André
Mendonça conseguiu a proeza de fixar na opinião pública a ideia de que o
governo Lula seria responsável pelos mega-escândalos de corrupção de
bolsonaristas e aliados.
Flávio Bolsonaro e
Daniel Vorcaro desapareceram do noticiário produzido com vazamentos criminosos
originados no gabinete de Mendonça. E Fábio Luís passou a ser citado pela mídia
como uma espécie de “CEO da corrupção” no Brasil.
Especialistas em
pesquisas avaliam que a atuação de Mendonça pode ter sido o fator relevante que
influenciou as pesquisas eleitorais e reacendeu a expectativa de vitória do
bloco anti-Lula, que então animou um movimento comum de atores econômicos,
midiáticos e políticos –não só bolsonaristas, mas sob a liderança bolsonarista–
que projetam se beneficiar com a derrota do Lula.
A ameaça com a interferência
estrangeira
A eleição do Brasil
ocupa o centro das prioridades da extrema-direita internacional. Está havendo
interferência direta dos EUA e de Israel no processo eleitoral com apoio
interno de setores entreguistas e traidores que se apresentam como falsos
patriotas.
A interferência se
dá por meio de agências de inteligência, financiamentos clandestinos, ataques
cibernéticos, “fazendas de robôs” etc, e não se descarta a possibilidade de que
estrangeiros estejam atuando no território brasileiro a partir do Consulado dos
EUA em São Paulo e da Embaixada em Brasília.
Alertas a esse
respeito têm sido feitos com distintas ênfases e ângulos de abordagem por
especialistas e analistas, e podem ser acessados em reportagens publicadas em
portais de comunicação contra-hegemônicos.
A Globo com o fantasma da corrupção
Nas entrevistas do
Jornal Nacional, a Rede Globo surpreendeu até mesmo alguns dos seus
comentaristas honestos com a conduta escandalosamente faccional que adotou nas
entrevistas com Lula e Flávio Bolsonaro para produzir uma poderosa arma peça de
propaganda anti-Lula.
Os entrevistadores
foram condescendentes com as contradições e mentiras do gângster-filho, mas
emparedaram Lula sobre o tema da corrupção a partir de dados vazados pelo
gabinete de André Mendonça com o objetivo nítido de excitar o imaginário
popular antipetista com a falsa imputação de corrupção.
A primeira
tentativa grotesca da Globo neste ano de ressuscitar o fantasma da corrupção
contra o PT para exploração eleitoral foi em março, quando repetiu a gangue da
Lava Jato e apresentou um organograma das “conexões do Daniel Vorcaro” que
tinha a fotografia do Lula como personagem central, cercado de outras figuras
ligadas a ele e ao PT.
A fabricação do fenômeno Augusto Cury
Não há consenso
entre analistas sobre o crescimento súbito e exponencial das intenções de voto
em Augusto Cury nas pesquisas.
É consensual, no
entanto, que tal crescimento foi fortemente impulsionado através das redes
sociais. Não se descarta a possibilidade de apoio operacional de Pablo Marçal,
ativista pró-bolsonarista, e de mecanismos da extrema-direita internacional nas
plataformas com custos financeiros significativos não-rastreáveis.
O objetivo desta
estratégia seria consolidar uma parcela expressiva de votos “independentes”, de
eleitores “fora da polarização”, com valores e pautas mais associadas à direita
para, no segundo turno, canalizar tais votos para Flávio Bolsonaro.
Flerte do PIB com Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro
conseguiu estabelecer uma linha de diálogo com o PIB que se imaginava
impossível, inclusive com empresários, banqueiros e rentistas supostamente
refratários ao gângster, mas que passaram a se alentar com a possibilidade de
vê-lo no Planalto.
Desafios da campanha
Lula para derrotar Trump, Bolsonaros e as oligarquias
De hoje a 4 de
outubro serão os 24 dias mais decisivos e fundamentais da nossa história. A
confluência de forças que militam pela derrota do Lula é poderosíssima, mas não
invencível.
A campanha do Lula
se multiplica em centenas de milhares de iniciativas militantes individuais e
coletivas. E é multiplicada pelas quase duas mil candidaturas às Assembléias
Legislativas, à Câmara e ao Senado.
Esse enorme
contingente militante precisa ter como prioridade central ocupar o território
de todo país, com metas de visitas do máximo de lares de brasileiros para
conversar diretamente com a população para apresentar as realizações e
propostas do quarto mandato do Lula, e para alertar sobre os riscos de um governo
de bandidos que transformará o Brasil numa autocracia entregue aos Estados
Unidos.
A eventual eleição de Flávio Bolsonaro significaria
para o Brasil e para o povo brasileiro uma realidade infinitamente pior que o
terrível mandato do pai dele com as cúpulas militares.
Assista o vídeo:

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