Deputada condenou o projeto de Tabata que pode censurar quem critica o estado de Israel
04 de abril de 2026
Jandira Feghali e Tabata Amaral (Foto: Câmara dos
Deputados)
A deputada federal Jandira Feghali
(PCdoB-RJ) entrou no debate sobre antissemitismo e antissionismo neste sábado
para fazer uma distinção que considera fundamental ao debate público
brasileiro. Segundo a parlamentar, confundir os dois conceitos representa uma
tentativa de censura e de criminalização de posições políticas legítimas — uma
crítica direta ao Projeto de Lei nº 1.424, de 2026, apresentado pela deputada
Tabata Amaral (PSB-SP), que define antissemitismo com base nos critérios da
Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA) - na prática, a
proposta criminaliza críticas ao estado de Israel, denunciado na Corte
Internacional de Justiça pelo crime de genocídio contra palestinos na Faixa de
Gaza.
Segundo Jandira, a distinção entre os
dois conceitos é inegociável. "Não aceitamos distorções: antissemitismo é
crime, é ódio contra o povo judeu — e deve ser combatido sem hesitação. Já o
antissionismo é uma posição política, uma crítica legítima a um projeto de
Estado", escreveu Jandira, estabelecendo uma linha clara entre o
preconceito étnico e a discordância política em relação ao Estado de Israel.
A deputada do PCdoB foi além e
apontou o que classifica como um movimento deliberado para embaralhar os dois
conceitos com o objetivo de restringir o debate político. "Confundir essas
duas coisas é tentar impor censura, calar o debate e criminalizar quem denuncia
injustiças", declarou. Para ela, a estratégia busca transformar críticas a
governos em acusações de preconceito para blindar determinadas políticas de
Estado de qualquer questionamento público.
Jandira também alertou para os riscos
dessa confusão conceitual para a liberdade de expressão. "Não vamos
permitir que transformem crítica política em preconceito para proteger governos
e silenciar vozes", afirmou a parlamentar, que encerrou a publicação
reforçando sua posição com uma frase de síntese: "Clareza é fundamental:
combater o antissemitismo sempre, defender o direito à crítica política
também."
A manifestação de Jandira Feghali ocorre em um
momento de acirramento do debate sobre os limites entre crítica política e
discurso de ódio no Brasil, especialmente diante das discussões em torno do
projeto de Tabata Amaral. A proposta gerou reações de parlamentares de
diferentes espectros políticos, com parte da esquerda argumentando que a
definição adotada pela IHRA pode ser usada para criminalizar posicionamentos
contrários às ações do governo israelense, sobretudo no contexto da guerra em
Gaza.

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