Projeto tem urgência constitucional e deve acelerar a tramitação da proposta na Câmara
Rio Grande (RS), 20/01/2026 - Presidente da
República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita às instalações do
Estaleiro ECOVIX. Foto: Ricardo Stuckert/PR (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
247 - O governo do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu enviar ao Congresso Nacional
um projeto de lei para extinguir a escala de trabalho 6x1, em que o trabalhador
atua seis dias e descansa apenas um. A proposta, considerada estratégica no
cenário político atual, será encaminhada com urgência constitucional para
acelerar sua tramitação na Câmara dos Deputados, segundo a Folha de São Paulo.
A iniciativa do Executivo segue um
caminho distinto do adotado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta
(Republicanos-PB), que optou por tratar o tema por meio de uma Proposta de
Emenda à Constituição (PEC). Enquanto o projeto de lei pode ser votado em até
45 dias — prazo após o qual passa a travar a pauta do plenário —, a PEC exige
um processo mais longo, com análise prévia na Comissão de Constituição e
Justiça (CCJ) e em comissão especial antes de chegar à votação final.
Fontes do Palácio do Planalto indicam
que o envio do projeto deve ocorrer na próxima semana. A decisão foi tomada
após semanas de articulação interna, com recomendações dos ministros Guilherme
Boulos (PSOL), da Secretaria-Geral da Presidência, e Sidônio Palmeira, da
Comunicação Social, que defendiam a apresentação da proposta como forma de dar
celeridade ao tema.
A avaliação do governo é de que a
tramitação via PEC pode atrasar o processo legislativo, dificultando a
aprovação no Senado antes do calendário eleitoral. Por isso, a escolha pelo
projeto de lei com urgência busca garantir maior rapidez na votação e capital
político em torno de uma pauta considerada popular.
Embora o texto final ainda não tenha
sido concluído, o governo já definiu três pontos centrais que pretende manter:
a garantia de dois dias de folga semanal, a fixação de uma jornada máxima de 40
horas por semana e a implementação das mudanças sem redução salarial. A
proposta difere da PEC apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que
prevê a diminuição da carga horária de 44 para 36 horas semanais.
Mesmo defendendo o fim da escala 6x1,
Hugo Motta argumenta que a tramitação via PEC permite um debate mais amplo com
diferentes setores da sociedade, incluindo representantes do setor produtivo.
Empresários chegaram a discutir com o governo a possibilidade de compensações
fiscais para mitigar os impactos da redução da jornada, mas a ideia foi
descartada.
O ministro do Trabalho e Emprego,
Luiz Marinho (PT), afirmou que não haverá desoneração para os setores afetados
pela mudança. A base governista aposta que, diante da alta aprovação popular da
proposta e da proximidade das eleições, o Congresso tenderá a aprovar o texto,
mesmo em versões consideradas mais abrangentes.
Dados recentes reforçam essa percepção. Pesquisa
Datafolha divulgada em março aponta que 71% dos brasileiros defendem a redução
do número máximo de dias de trabalho por semana. O índice representa
crescimento em relação a levantamento realizado em dezembro anterior, quando
64% se mostravam favoráveis à medida, enquanto 33% eram contrários.

Nenhum comentário:
Postar um comentário