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| © Foto: Adriano Machado/Reuters |
ESTADÃO - The Economist
Em muitos fins de semana desde que a covid-19 chegou ao Brasil, os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro realizam manifestações em Brasília e São Paulo, para demandar a reabertura da economia, parcialmente submetida a um lockdown, o fechamento do Supremo Tribunal Federal e do Congresso e o retorno do regime militar dos anos 1964/1985. Alguns estão armados. Em Brasília, Bolsonaro com frequência se junta a eles, distribuindo abraços e apertos de mão e desafiando as regras de saúde estabelecidas. Nem ele e nem as pessoas usam máscaras no rosto.
Desde que
Bolsonaro, antigo capitão do Exército com ideias de direita, assumiu o governo, em
janeiro de 2019, muitos brasileiros temem a ameaça que ele representa para a
democracia. Alguns argumentam que as instituições do País são fortes o bastante
para freá-lo. Na verdade, o presidente lotou o seu governo com oficiais
militares. Mas eles são vistos como tendo uma influência moderadora e as
manifestações são pequenas.
As tensões
aumentaram nas últimas semanas. Bolsonaro se tornou mais ameaçador, ao se
dirigir ao Congresso afirmando que “o tempo da vilania acabou, agora é o povo
no poder”, e ao Poder Judiciário dizendo “acabou, porra!”. Alguns
ministros militares, a começar pelo vice-presidente Hamilton Mourão, general aposentado, também fizeram ameaças
veladas contra o STF, o Congresso e a mídia.
Em uma mensagem
pelo WhatsApp vazada no mês passado, o ministro do STF Celso de Mello escreveu: “temos de resistir contra a
destruição da ordem democrática para evitar o que ocorreu na República de
Weimar “que foi derrubada por Hitler”. “A democracia brasileira está sob uma
grave ameaça”, diz Oscar Vilhena Vieira, diretor da faculdade de Direito da
Fundação Getúlio Vargas (FGV). “O presidente não
vem tentando apenas criar um conflito institucional, mas também estimulando
grupos violentos”.
Deputado durante 28
anos, Bolsonaro nunca mostrou muito respeito pela democracia. E se tornou mais
controvertido por duas razões. Em primeiro lugar, o STF iniciou investigações
que o envolvem. Uma delas tem a ver com a destituição do diretor da Polícia
Federal para proteger um dos seus filhos contra um processo, afirmam seus
críticos.
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E a outra se refere
a apoiadores (incluindo dois filhos dele) suspeitos de orquestrarem acusações
falsas e ameaças contra ministros do STF. A segunda razão é que Bolsonaro
mostra pouca capacidade para governar. A pandemia amplificou isto. Sua recusa
em apoiar os lockdowns e o distanciamento social contribuíram para agravar a
propagação da covid-19, com o País registrando hoje quase 40 mil mortes, o
terceiro número mais alto do mundo.
Ele vem perdendo
apoio popular embora mantenha uma base de 30% de eleitores. Um sinal da sua
fragilidade é que ele cada vez mais depende do Exército. Dez dos seus 22
ministros são militares e outros três mil ocupam cargos no governo. “Na
verdade, temos um regime miliar”, disse um oficial aposentado. E isto
representa um risco para as forças armadas e para a democracia. Bolsonaro tem
exacerbado a divisão interna e a politização do Exército, cuja disciplina e
hierarquia vêm se desgastando. Muitos oficiais de escalão inferior apoiam
Bolsonaro nas redes sociais. Quatro generais com cargos no governo, dois no
serviço ativo, têm mais poder do que o comandante das forças armadas, seu
superior.
O Exército também
coloca em sério risco a sua reputação. Está hoje à frente do ministério da
Saúde (onde por um breve período tentou suspender as publicações de dados
completos sobre a covid-19), da coordenação política e proteção do Amazonas.
“Eles realmente acreditam que sabem como fazer as coisas”, diz um ex-oficial.
Eles poderão aprender da maneira difícil, como durante a ditadura, que não
sabem. Bolsonaro não parece forte o bastante para desencadear um golpe. Ele
enfrenta oposição de muitos governadores.
Embora o vírus
tenha temporariamente incapacitado o Congresso, Oscar Vilhena Vieira observa
que o STF tem atuado de uma maneira inusitadamente unida. Entretanto, “a
democracia pode desaparecer se você não tiver um homem forte”, alerta Matias
Spektor, do Centro de Relações Internacionais da FGV. Se Bolsonaro acabar
sofrendo um impeachment, Mourão o sucederá, trazendo o Exército para ainda mais
perto do poder.
Uma outra ameaça,
observa Spektor, é o esvaziamento das instituições democráticas por Bolsonaro,
como também a instigação do conflito. Nomeou um procurador geral mais simpático
a ele e tem influência sobre as forças de polícia estaduais, como também sobre
a Polícia Federal. Uma batida policial silenciou o governador do Rio de
Janeiro, que recentemente começou a criticá-lo. Os democratas brasileiros, seus
adversários, começam a reunir uma oposição ao presidente. E estão certos em
ficar alarmados. / TRADUÇÃO DE
TEREZINHA MARTINO
EM TEMPO: Que a nossa situação está cada vez mais difícil isso é público e notório. Parece-me que Bolsonaro foi mal escolhido para lascar todo mundo. Até as Forças Armadas estão sendo arranhadas com esse desgoverno e com um Presidente completamente despreparado e genocida. Cabe a população, de agora por diante, melhorar e ser mais critica na hora de votar. A pendência é que a maioria da população brasileira é despolitizada e conservadora. Nossa situação iria melhorar bastante caso os cerca de 3.000 militares, incluindo os de alto patente, desembarcassem do desgoverno Bolsonaro. Porquê o Bolsonaro faz muita arruaça, confiando nos militares. É sempre assim: ter o poder das armas para atacar os desarmados. Agora durmam com essa bronca.

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