REUTERS/Adriano
Machado
Por Sophia Lopes
Em meio a pandemia do
novo coronavírus, manifestações contra o governo e críticas
internacionais, a gestão de Bolsonaro pretendia assumir o remanejamento de R$ 83,9 milhões do Bolsa Família para
campanhas publicitárias do governo. Diante da pressão popular, Bolsonaro voltou
atrás e cancelou a medida. A agência Fiquem Sabendo já havia qustionado a Secom
e o Ministério da Economia e obteve via LAI o próposito da campanha que
absorveria recursos do Bolsa Família: "promover o país no
exterior".
Segundo
informações da Presidência da República fornecidas ao Ministério da Economia, o
desvio da verba seria utilizado para bancar propaganda da política econômica do
governo Bolsonaro. O documento afirma que seriam campanhas publicitárias para
promover a "agenda econômica, reforma tributária, privatizações e
concessões, política internacional, agronegócio, entre outros".
Em 4 de junho,
conforme portaria publicada no Diário Oficial da União, o Secretário Especial
de Fazenda do Ministério da Economia, Walderly Rodrigues, autorizou um “crédito
suplementar” de R$ 83.904.162,00 para campanha institucional da Presidência da
República. Para viabilizar essa verba, seria anulada a transferência de renda a
famílias em condição de pobreza e extrema pobreza do Nordeste, que receberiam
esse dinheiro por meio do Bolsa Família.
Ontem (9),
Rodrigues assinou nova portaria revogando a medida. Dias antes, ele havia
declarado que o remanejamento orçamentário não causaria riscos, já que estariam
sobrando recursos devido ao repasse do auxílio emergencial. Entretanto,
procuradores-gerais recorreram ao STF, pedindo anulação da portaria e
apresentação dos dados comprovando a necessidade de concentração de cortes no
Bolsa Família no Nordeste. No final de março, uma liminar concedida pelo
ministro Marco Aurélio já havia proibido enxugamento de verba do programa na
região.
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Conforme revelou levantamento da
Agência Pública, o governo vem investindo maciçamente em comunicação
institucional há alguns meses. Apenas em março e abril, a Secom gastou R$ 5,8
milhões com agências de publicidade para a campanha “Agenda Positiva”. Além
disso, desde março, a secretaria despendeu R$ 8,4 milhões para a campanha
“Brasil no Exterior”.
Segundo o jornal O Estado de S.
Paulo, a empresa contratada pelo governo para produção das campanhas
publicitárias durante a pandemia é a Calia Y2. Conforme revelou o veículo, o
processo foi sem passar por seleção interna das outras agências contratadas
pela Secom, a NBS e a Artplan. Segundo documentos internos da secretaria, a
Calia propôs a realização da campanha e a sugestão foi aprovada pelo governo.
Em seu plano de
governo intitulado “Caminho da Prosperidade”, apresentado quando era candidato,
Bolsonaro já sinalizava a priorização dos setores mencionados na justificativa
da Presidência da República enviada ao Ministério da Economia, como
privatizações, concessões e agronegócio.

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