Correio Braziliense - Augusto Fernandes
© MARCELO FERREIRA/CB/D.A PRESSO
Ministério Público Federal (MPF) vai investigar se a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) cometeu atos de improbidade administrativa por ter financiado cerca de 2 milhões de anúncios publicitários que foram divulgados em sites pornográficos, páginas que difundem fake news e jogos de azar e em endereços eletrônicos que promovem o presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). As informações são do jornal O Globo.
O MPF pediu à
secretaria a lista de todas as páginas que divulgaram as propagandas oficiais.
Além disso, o órgão vai apurar o contrato entre a Secom e a plataforma AdSense,
serviço de publicidade oferecido pelo Google responsável por ter direcionado os
anúncios do governo. O secretário de Comunicação Fábio Wajngarten terá um prazo
de dez dias para se manifestar ao MPF sobre o caso.
As informações de
que as peças publicitárias do Executivo acabaram divulgadas em páginas
impróprias foram reveladas em um relatório produzido pela Comissão Parlamentar
Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News. Segundo o documento, a maior parte dos
anúncios estava relacionada à campanha do governo para promover a reforma da
Previdência, aprovada no ano passado no Congresso Nacional.
A verba da Secom
foi distribuída por meio do Google AdSense, que paga um valor ao site a cada
vez que um usuário clica na publicidade ou apenas visualiza. No topo da lista
dos que mais receberam verba pública para divulgar a publicidade oficial está o
site "Resultados Jogo do Bicho", com 319.082 impressões - a
quantidade de vezes que o anúncio foi exibido aos usuários do site. O jogo do
bicho é proibido no Brasil e sua prática é considerada uma contravenção
Continue lendo
Outra descoberta da
CPMI foi que dos 20 canais no YouTube que mais veicularam anúncios da Nova
Previdência (nome da campanha governo), 14 são primordialmente destinados ao
público infanto-juvenil. Entre eles, até mesmo um que tem todo o seu conteúdo
em russo. "Juntos, esses 14 canais infanto-juvenis concentraram 2.392.556
das 12.026.980 impressões da campanha da Nova Previdência veiculadas no YouTube
entre 06 de junho e 13 de julho de 2019 (19,89% de todos os anúncios veiculados
no YouTube nesse período)", diz um trecho do relatório.
No total, o governo
bancou 653,4 mil anúncios em 47 sites de fake news. O que mais recebeu
dinheiro, com 66.431 peças publicitárias veiculadas em pouco mais de um mês,
foi o portal Sempre Questione, que publica conteúdos falsos variados, como
textos sobre múmias alienígenas e existência de portais para o inferno. Estão
entre os sites que os integrantes da CPMI apontam como veiculadores de notícias
fraudulentas o Jornal da Cidade Online, o Terça Livre, a Folha do Brasil e o
Diário do Centro do Mundo.
Em coletiva de
imprensa na semana passada, a Secom se eximiu da responsabilidade e culpou o
Google. “A Secom não fez e não fará investimento de nenhum real em qualquer
blog que seja, por minha determinação. A Secom não fará nenhum investimento no
blog A ou B ou Z. Não é verdade a narrativa de hoje. Na Secom do presidente
Bolsonaro não há desvios, não há favorecimento de A, B ou Z. A Secom preza a
tecnicidade e a economicidade”, disse Wajngarten.

Nenhum comentário:
Postar um comentário