PCB de Osasco
A ideia de que o
Brasil está em crise é constantemente repetida. No que consiste esta crise? Nós
do PCB oferecemos uma pequena contribuição sobre o problema; desta vez, nesse
texto, especificamente sobre o impacto da dívida pública na vida dos
trabalhadores.
Em primeiro lugar, a
existência da dívida não significa que os recursos contraídos foram gastos em
favor do povo brasileiro. Normalmente, o endividamento do Estado origina-se de
investimentos que estimularam ou estimulam a acumulação do capital, sendo que
parte deste endividamento, a maior parte, é constituída pelos juros pagos sobre
os empréstimos.
Entre os anos 50 e 70
o Estado Brasileiro endividou-se porque investiu na construção de ferrovias,
rodovias, companhias siderúrgicas, expansão das redes de eletrificação,
comunicações, etc. O capitalismo se consolidou no Brasil graças a tais
investimentos, que as empresas privadas não queriam fazer, porque era reduzida
a perspectiva de lucros imediatos. Posteriormente, quando as empresas se
tornaram rentáveis, e os lucros poderiam se reverter em benefícios para o povo,
foram privatizadas a preços de banana pelos governos tucanos.
O governo FHC,
principal responsável por esta política, alegava que os recursos das privatizações
seriam usados para o pagamento da dívida pública, deixando o governo livre para
efetivar gastos sociais. Seja porque os recursos obtidos com as privatizações
foram ridículos, seja porque são elevadíssimos os juros pagos aos banqueiros, a
dívida pública não foi amortizada e os investimentos sociais jamais foram
feitos.
Em resumo, o
patrimônio público, que já custara caro ao povo brasileiro, foi dilapidado.
Porém, a dívida continuou crescendo, o que levou o governo tucano a inventar
mais uma mágica: o superávit primário. Em outras palavras, isto significa que
os orçamentos da União, estados e municípios deveriam priorizar o pagamento dos
juros da dívida, e o que sobrar poderia ser destinado à educação, saúde,
transportes, pesquisa, segurança pública, etc.
O quadro fica mais
escandaloso se considerarmos que a taxa de juros que remunera os títulos da
dívida pública atingiu o patamar de 63,5% em 2016. Se olharmos sob a
perspectiva do impacto da dívida sobre o orçamento da União,que situação
inaceitável encontraremos! No exercício de 2017, 47,24% do orçamento
destinou-se a bancos nacionais e estrangeiros; 17,77%, para os fundos de
investimentos; 11,32%, para os investidores estrangeiros;12,84% para os fundos
de pensão e 3,13% para as seguradoras. O FGTS e o FAT receberam, juntos, apenas
4,58%; enquanto isso, a defesa nacional, os transportes e a educação sofreram
cortes de 31,6%.
Para piorar, não
bastassem as orgias burguesas com dinheiro público, ainda temos que aguentar o
chororô dos empresários com os “encargos” trabalhistas: “é preciso diminuir a
contribuição empresarial”, gritam eles, “pois só assim aumentarão os níveis de
emprego e salários”, complementam. Será que alguém ainda acredita nisso? O que
este governo e os representantes das classes dominantes falam não passam de
frases ensaiadas, cujo propósito é a omissão da verdade, aquela que foi
acertada por poucos e que é capaz de encabular o mais cínico dos homens.
Não ao pagamento da
dívida pública! Participe do seu sindicato! Participe das manifestações
populares!
Ilustração:
https://anexositecp.webnode.pt/galeria-de-fotos/politicas-publicas/#!

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