Jornal O Poder Popular nº 103 (março de
2026)
Nathália Mozer –
educadora popular do NEP 13 de Maio, militante do PCB e diretora da Fundação
Dinarco Reis
A revolucionária
Clara Zetkin propôs a comemoração de um Dia Internacional da Mulher na
Conferência das Mulheres Socialistas de 1910, para honrar a luta das mulheres
contra a exploração capitalista. O dia 8 de março foi abraçado pelo calendário
das revolucionárias devido aos acontecimentos em 1917 na Rússia czarista:
milhares de mulheres foram às ruas nesta data exigindo seus direitos, contra a
exploração e a guerra que a burguesia impunha ao povo. As mulheres foram uma
grande força propulsora da Revolução Russa.
No Brasil, o 8 de
março deste ano acontece em meio a um debate sobre violência infantil. No mês
passado, o TJ-MG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais) absolveu um homem de 35
anos acusado de abusar de uma menina de 12 anos. O argumento para a absolvição
é que havia “vínculo afetivo consensual”. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ)
abriu apuração sobre a decisão, considerando que a postura do tribunal pode
abrir um “precedente perigoso” para questionar o Código Penal. Nos depoimentos,
a menina apontava que o homem comprava cesta básica para sua mãe. A denúncia
aconteceu porque a escola percebeu a ausência da criança e acionou o Conselho
Tutelar.
As crianças,
especialmente as meninas e as crianças negras, seguem como as principais
vítimas da exploração, do abuso e do abandono. Os dados mais recentes
escancaram a realidade: o Brasil registra altos índices de violência sexual,
física e psicológica contra crianças e adolescentes, crimes que muitas vezes
ocorrem dentro de casa e são praticados por pessoas próximas, o que torna a
subnotificação um problema crônico. Essa violência uma expressão cruel da
opressão do capital: o Estado burguês, ao sucatear a educação, a saúde e a
assistência social e não garantir os direitos sociais, deixa crianças
desprotegidas e à mercê da exploração e abuso dentro e fora dos lares.
Combater a violência e lutar pela
superação do capitalismo!
A violência contra a
infância não é um fato isolado, é uma engrenagem que alimenta a exploração do
trabalho infantil, o tráfico de pessoas e a perpetuação do ciclo da pobreza. O
grande capital se beneficia dessa massa de crianças e jovens desassistidos,
que, sem acesso à educação de qualidade e a perspectivas de futuro, engrossam o
exército de mão de obra precarizada e superexplorada. O combate à violência
infantil passa por combater e superar o sistema que a naturaliza e a reproduz.
É necessário, como parte da luta da classe trabalhadora, exigir a implementação
efetiva do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a ampliação das redes de
proteção e acolhimento e a punição exemplar dos agressores.
Mais do que isso, é
preciso organizar a classe trabalhadora para defender suas crianças, criando
nas comunidades e locais de trabalho uma consciência coletiva de que proteger a
infância é um ato revolucionário que fere os interesses do capital e constrói
as bases para uma sociedade verdadeiramente justa e emancipada.
A luta das mulheres e
meninas deve ser assumida como pauta fundamental na luta de classes. Organizar
os setores mais oprimidos contra a exploração – mulheres, crianças, a população
negra, LGBT, os povos originários – é uma batalha de todas e todos contra o
capitalismo!
O diálogo com
trabalhadores e trabalhadoras sobre tais problemas perpassa pela firme defesa
dos direitos sociais, da saúde pública e da educação de qualidade, pela
revogação imediata das contrarreformas trabalhista e da previdência, fim da
escala 6×1 com 30 horas semanais sem redução salarial, reforma agrária popular,
reversão das privatizações, estatização do sistema bancário e financeiro,
dentre outras medidas que vão no sentido de melhorar substancialmente a vida da
classe trabalhadora.
Pela vida das mulheres! Pelo direito à
infância! Pelo poder popular!
EM TEMPO: Algumas sugestões para as mulheres: 1 - Não bancar financeiramente os seus "amores"; 2 - Defender prisão perpétua para os(as) criminosos(as) que praticarem feminicídio, masculinicídio e homoafeticídio; 3 - Idem para os estupradores (as) de quaisquer gênero. Convém lembrar que tanto as meninas, como também os meninos são presa fácil para os(as) estupradores (as); 4 - Ser mais criteriosa na escolha dos seus amores. Assim como a população deve ser na escolha dos seus políticos. Ok, Moçada!

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