Ou: a eterna busca de um anti-Lula
Por Emir Sader (Sociólogo, Cientista Político, ...)
Lula e Flávio Bolsonaro (Foto: Ricardo Stuckert/PR I Divulgação)
A manipulação e a edição do debate
entre Lula e Fernando Collor foram parte integrante da campanha eleitoral e
foram determinantes no resultado da eleição. A TV Globo foi o agente dessa
manipulação, que mudou a história do Brasil e projetou o anti-Lula daquele
momento.
Quando o queridinho da mídia e da
direita, FHC, fez maus governos, tiveram que tolerar a vitória de Lula. E o
sucesso do seu governo e do de Dilma. Até que montaram o impeachment e o golpe,
que desembocaram na prisão de Lula e na vitória do seu novo anti-Lula:
Bolsonaro. Entraram na linha do “qualquer um, menos Lula”, qualquer um que
impeça a vitória de Lula.H
E a direita brasileira — partidos e
mídia — ficou aprisionada pelo bolsonarismo. Não conseguiu ainda um outro
anti-Lula, seguindo a linha de “qualquer um, menos Lula”.
Seu candidato foi indicado por
Bolsonaro, um filho seu, mesmo que ele tenha tido sua imagem destroçada, nem
tanto pela tentativa de golpe, mas pelo episódio grotesco da tornozeleira.
O filho designado para representar o
país tinha desmaiado e sujado as calças em um debate com Jandira Feghali. Como
se comportaria em um debate com Lula? Vai inventar um pretexto, doença ou
outro, para não comparecer?
A direita brasileira, toda ela
bolsonarista, não tem o que propor ao país. Pelo tom do comício da Avenida
Paulista — que já teve menos da metade de pessoas do que o anterior — o único
grito é “Fora Lula”. E as pesquisas são instrumento dessa difícil candidatura.
Nelas, Lula derrota todos os seus
eventuais adversários, confirmando o seu favoritismo.
A mídia já mostra suas garras.
Destaque desproporcional no noticiário sobre o filho de Lula. Tentativa de
estabelecer algum vínculo de Lula com o caso Master. O mesmo em relação ao STF.
Declarada guerra aberta contra Lula e
seus aliados, na busca de gerar algum tipo de escândalo contra Lula.
Mídia em cima de todas as palavras de
Lula e nada similar, nem de longe, em relação ao filho de Bolsonaro. Faz muita
falta uma mídia pública com boa audiência!
Se a política é a guerra em outros
termos, às vezes a política ganha diretamente a forma aberta de guerra. E os
meios de comunicação são suas armas mais afiadas, de calibre pesado, às vezes.
Da mesma forma que a mídia aponta, em
cada ação do governo ou fala de Lula, que ele está pensando nas eleições, a
oposição — partidos e mídia — só pensa naquilo.
Tudo é campanha eleitoral. A direita
não tem nada a propor. Enquanto o mandato de Lula é sua proposta de futuro para
o Brasil, dando continuidade à prioridade das políticas sociais que caracteriza
os governos do PT, a mídia não cobra nada sobre o que o candidato da direita
propõe para o Brasil.
Tudo é muito desigual na mídia. A
esquerda paga o preço de não ter uma mídia pública de massas. Tem a vantagem da
presença forte de Lula e dos programas de governo, mesmo que estes sejam
escondidos pela grande mídia.
Já são meses de campanha eleitoral, mas o horário eleitoral demora, único espaço em que as condições são iguais. Até lá, a mídia atuará, diariamente, como partido da direita.
EM TEMPO: Aqui em PE são realizadas pesquisas semanas, desde o ano passado, por vários institutos de pesquisa sem informarem os patrocinadores. Cada pesquisa estadual custa em torno de R$20.000,00. Quem paga? O TSE deveria aprovar uma resolução obrigando os institutos de pesquisa a prestarem contas, assim como é exigido dos candidatos. Ok, Moçada!

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