quinta-feira, 16 de junho de 2022

Vazamento na Bloomberg deve ter sido proposital e calculado, com aval do próprio Biden

"Recado parece duplo: não apoiaremos o antidemocrático Bolsonaro em eventual aventura autocrática e não permitiremos que o setor privado também o faça"

Presidente da República Jair Bolsonaro, durante encontro com o Presidente dos Estados Unidos da América, Senhor Joe Biden. 09/06/2022 (Foto: Alan Santos/PR)



Por Marcelo Zero (*)

Bolsonaro pediu ajuda a Biden para derrotar Lula e se reeleger, em uma reunião bilateral, realizada em Los Angeles, durante a Cúpula das Américas. 

Biden, é claro, desconversou. Fico aqui imaginando a cara do presidente dos EUA e de seus assessores ante tamanha estupidez e despropósito.  Qualquer pessoa de QI médio e medianamente informada teria informado ao insopitável capitão que essas coisas não se tratam nessas cúpulas. São tratadas, quando ocorrem, em intercâmbios de informação muito sigilosos, discretos e não-oficiais, normalmente feitos entre agentes de inteligência. Como se sabe, os EUA, apesar de afirmarem o contrário, intervêm, sim, em processos políticos e eleitorais de outros países, quando julgam necessário. Mas o fazem pelos canais pertinentes e com os instrumentos apropriados. Podem até ser tolos, em relação aos objetivos, mas não são tolos, no que tange aos métodos. 

Contudo, nesse caso específico, parece evidente que o presidente de atitudes asininas deu com os burros n’água. O vazamento da informação constrangedora para o site de notícias da Bloomberg é indício claro disso. Evidentemente, o vazamento da informação não deve ter sido fortuito, fruto de indiscrição pessoal de um agente público. Não. O vazamento deve ter sido proposital e bem calculado, feito, provavelmente, com o aval do próprio Biden, que, nos bastidores, nutre desprezo e desconfiança pelo capitão antiambientalista, anti-direitos humanos, “trumpista” e saudoso da ditadura e da tortura. Ele não quer se associar a qualquer aventura autocrática de Bolsonaro e de seus militares.

O canal utilizado também parece ter sido cuidadosamente escolhido.

Não à privatização da Eletrobrás!

 

NÃO À PRIVATIZAÇÃO DA ELETROBRÁS! Mais um crime de lesa pátria!

Nota Política do Partido Comunista Brasileiro – PCB

Na sexta-feira, 03/06, o governo federal deu sequência a um dos maiores projetos de privatização da história brasileira: a venda de ações da Eletrobrás, histórica estatal conquistada na luta pelo controle estatal da produção energética. Responsável por quase 30% da produção energética do país, a empresa também opera na área de transmissão e distribuição da energia pelo país e tem sido alvo, desde os anos 1990, de tentativas de privatização.

Nesta segunda-feira, a venda de ações da Eletrobrás chegou a um total de 29 bilhões de reais, apresentando leve queda no preço das ações em relação ao preço mínimo de 42 reais perspectivado pelo governo. O plano é vender um conjunto de ações grande o bastante para retirar do governo federal o controle majoritário das ações, com a meta de atingir apenas 45% de propriedade da empresa. Esse projeto privatista vem desde o governo de Michel Temer, com a proposta de privatização da Eletrobrás já em janeiro de 2018, e vem sendo uma prioridade do governo Bolsonaro, como forma de aproveitar o final do mandato para aprovar os últimos desmontes da estrutura das empresas estatais.

O PCB se coloca abertamente contra essa privatização, que converte os investimentos públicos de quase 6 décadas em lucros para os novos acionistas. O impacto dessa medida, além da perda do patrimônio público, é imenso para a classe trabalhadora, consumidora da energia. Nesse cenário de privatização, a tendência ao aumento de custo da energia, como forma de remunerar os acionistas, será um peso ainda maior nos salários dos trabalhadores.

Além disso, as condições dos trabalhadores da Eletrobrás deverá piorar, como tem acontecido sistematicamente nas estatais privatizadas. A ameaça de apagões e falta de energia fora dos grandes centros urbanos também passa a ser muito provável, uma vez que a Eletrobrás abastece regiões que não conferem lucro à empresa, mas que são fundamentais para a vida de grandes setores da população.

Privatizar é crime contra o povo trabalhador!

Fora Bolsonaro, Mourão e Guedes!

Abaixo o capitalismo!

Pelo Poder Popular no rumo do Socialismo!

Comissão Política Nacional do PCB

https://www.youtube.com/watch?v=iNcD0Q7MCZ8  Visão CNN. Quais as consequências da privatização da Eletrobrás. Debate entre o dep. fed. Ricardo Barros e Boulos.


domingo, 12 de junho de 2022

Zelensky: de comediante a carrasco a serviço dos EUA

 

Por Max Blumenthal e Esha Krishnaswamy [*]

A campanha de Zelensky de assassinatos, sequestros e tortura de opositores políticos

Apesar de dizer que defende a democracia, Volodymyr Zelensky proibiu a oposição, ordenou a prisão de rivais e liderou o desaparecimento e assassinato de dissidentes em todo o país. Zelensky definiu a guerra do seu país contra a Rússia como uma batalha pela própria democracia. Num discurso cuidadosamente coreografado para o Congresso dos EUA em 16 de março, Zelensky declarou: “Neste momento, o destino do nosso país está sendo decidido: se os ucranianos serão livres, se serão capazes de preservar sua democracia”.

Os grandes meios de comunicação dos EUA deram cobertura a Zelensky através de uma imprensa bajuladora, que conduziu uma campanha para nomeação ao Prêmio Nobel da Paz e inspirando um extravagante tributo musical a si mesmo e aos militares ucranianos durante a cerimônia de prêmios do Grammy em 3 de abril de 2022. Contudo, a mídia ocidental olhou para o lado quando Zelensky e altos funcionários do seu governo aprovaram uma campanha de sequestro, tortura e assassinato de políticos ucranianos acusados de colaborar com a Rússia. Vários presidentes de municipalidades e outras autoridades foram mortos desde o início da guerra, alegadamente por agentes do Estado, após se envolverem em negociações para a redução da escalada de guerra da Rússia.

“Há um traidor a menos na Ucrânia”, afirmou o assessor do Ministério de Assuntos Internos, Anton Geraschenko, apoiando o assassinato de um presidente de câmara acusado de colaborar com a Rússia.

Zelensky explorou ainda mais a atmosfera de guerra ao proibir uma série de partidos da oposição e ordenar a prisão dos seus principais rivais. Decretos autoritários desencadearam o desaparecimento, tortura e até assassinato de ativistas de direitos humanos, comunistas, gente de esquerda, jornalistas e funcionários do governo acusados de simpatias “pró-Rússia”.

Com privatização da Eletrobrás, bolsonarismo enterra definitivamente o desenvolvimentismo nacional

 

(Foto: REUTERS)


"O bolsonarismo enterrou, definitivamente, o projeto de desenvolvimento nacional e a já combalida soberania do estado brasileiro", escreve Cesar Calejon



Por Cesar Calejon, do Jornalistas pela Democracia

No capitalismo, o controle da energia é um aspecto fulcral para toda a organização sistêmica. Ao longo do século XX, sobretudo, entre 1930 e 1980, período que marca o desenvolvimentismo brasileiro, diversos governos, mesmo os ditatoriais, entendiam a importância de manter empresas estratégicas sob o comando de um estado que fosse capaz de planejar e determinar prioridades e objetivos.   

Com a privatização da Eletrobrás, que foi consumada ontem, o bolsonarismo enterrou, definitivamente, o projeto de desenvolvimento nacional e a já combalida soberania do estado brasileiro no que diz respeito a organizar o seu próprio futuro, consequentemente.  

Agora, a Eletrobrás passa a ser controlada por fundos locais e internacionais e tem o grupo 3G e o Banco Clássico como os seus maiores acionistas privados. Evidentemente, a exemplo do que historicamente aconteceu com projetos desta ordem, a população brasileira, além de ficar à mercê de um estado incapaz de usar os seus recursos para melhorar a vida dos seus cidadãos, ainda deverá pagar mais caro pela energia visando o enriquecimento de grupos que já são bilionários. Enquanto isso, 106 milhões de brasileiros sobreviveram com apenas R$ 13,83 por dia em 2021, segundo o IBGE.   

Sob o bolsonarismo, a racionalidade neoliberal que percebe o estado como inimigo da população foi agudizada junto ao povo brasileiro. O fato, contudo, é que existe uma dimensão, material e histórica, fundamental do desenvolvimento do capitalismo sob a égide das democracias liberais que os próprios liberais sofrem demasiadamente para aceitar e a população, de forma mais ampla, sequer entende: um estado forte e planejador é um atributo elementar para a organização de qualquer país que pretenda se tornar uma potência.   

Além disso, existe outra correlação direta que pode ser estabelecida neste sentido: quanto mais à periferia do sistema capitalista global encontra-se determinado país, maior é a necessidade de se estabelecer um estado forte que consiga dar conta de tarefas estratégicas.    

Os liberais tendem a classificar, pejorativamente, esse tipo de atuação estatal como “intervencionista”, avançando a ideia de que o “deus mercado” e a livre competição seriam capazes de organizar os melhores arranjos sociais. Invariavelmente, essas pessoas citam os Estados Unidos como exemplo e se esquecem – ou ignoram deliberadamente para avançar os seus interesses – que o regime estadunidense atua no cerne do capitalismo global, usurpando outras nações e impondo, muitas vezes por meio do uso da força, as suas determinações. Existe, o que na disciplina das Relações Internacionais, convencionou-se chamar de “role maker” (os países que estabelecem as regras do jogo) e “role taker” (os países que as acatam).   

Sem um estado forte e sem o controle de empresas estratégicas, resta ao Brasil curvar-se às determinações que nos são impostas. Exatamente o que pretende o governo Bolsonaro.  Neste sentido, o próximo governo deverá fortalecer, rapidamente, a capacidade de intervenção estatal na economia brasileira. Uma boa ideia seria, conforme discutido com o economista Ladislau Dowbor no programa Literatura & Pensamento Crítico, organizar uma espécie de holding, que seria ligada à Presidência da República.

Acesse o link e conheça mais sobre esse crime contra o nosso patrimônio:          https://www.youtube.com/watch?v=Kb79ASYgqsE&t=7s

(*)  Jornalista, com especialização (MBA) em Relações Internacionais pela FGV e mestrando em Mudança Social e Participação Política pela USP. Autor dos livros 'A ascensão do bolsonarismo no Brasil do Século XXI', 'Tempestade Perfeita: o bolsonarismo e a sindemia covid-19 no Brasil' e 'Sobre Perdas e Danos: negacionismo, lawfare e neofacismo no Brasil'

sábado, 11 de junho de 2022

Bolsonaro comete crime de lesa-pátria e diz a Biden que, ao contrário de Lula, trabalha para defender os interesses dos EUA

 


Reportagem da Bloomberg informa que Jair Bolsonaro pediu ajuda ao presidente Joe Biden e disse que Lula, ao contrário dele, defende os interesses do Brasil

11 de junho de 202249

Presidente da República Jair Bolsonaro, durante encontro com o Presidente dos Estados Unidos da América, Senhor Joe Biden. 09/06/2022 (Foto: Alan Santos/PR)

247 – Uma reportagem da agência Bloomberg confirma o que muitos brasileiros já sabem: Jair Bolsonaro trabalha contra os interesses nacionais e, portanto, comete o crime de lesa-pátria. "O presidente brasileiro Jair Bolsonaro pediu ajuda ao presidente dos EUA, Joe Biden, em sua candidatura à reeleição durante uma reunião privada à margem de uma cúpula regional nesta semana, retratando seu oponente de esquerda como um perigo para os interesses dos EUA, segundo pessoas familiarizadas com o assunto", informa o jornalista Eric Martin, da Bloomberg.

"Durante a reunião desta quinta-feira, Biden destacou a importância de preservar a integridade do processo eleitoral democrático no Brasil e, quando Bolsonaro pediu ajuda, Biden mudou de assunto, disse uma das pessoas. Os comentários de Bolsonaro a Biden sobre seu rival, Luiz Inácio Lula da Silva, ecoaram suas advertências públicas sobre o ex-presidente de dois mandatos, segundo as pessoas, que pediram anonimato para discutir uma conversa privada. A assessoria de imprensa da presidência do Brasil não respondeu imediatamente a um pedido de comentário, enquanto a assessoria de imprensa da Casa Branca se recusou a comentar imediatamente", acrescentou o jornalista.

Ao contrário de Bolsonaro, que entrega todas as riquezas nacionais, como fez com a Eletrobrás e pretende fazer com o pré-sal, Lula defende boas relações com os Estados Unidos, mas sem abrir mão da soberania nacional. 

EM TEMPO: Não existe na história política do Brasil, um Presidente entreguista e mais desqualificado do que Bozo.

sexta-feira, 10 de junho de 2022

Sobre o desaparecimento de Bruno Araújo e Dom Phillips

 

Nota Política do Partido Comunista Brasileiro (PCB)

O Partido Comunista Brasileiro – PCB vem a público manifestar sua grande preocupação com o desaparecimento na região do Vale do Javari na Amazônia brasileira, onde o Brasil faz fronteira com o Peru e a Colômbia, do indigenista e servidor da FUNAI ( Fundação Nacional do Índio ) Bruno Araújo e do jornalista inglês Dom Phillips, fato este ocorrido no último final de semana.

É sabido que o Vale do Javari, território indígena demarcado há pouco mais de duas décadas, reúne a maior quantidade de indígenas em voluntário isolamento que se tem conhecimento no mundo, sendo objeto de inúmeros ataques por parte de pescadores ilegais, madeireiros, caçadores, traficantes de animais, situando-se em uma fronteira extremamente porosa onde atua o crime organizado na chamada Rota do Solimões.

Bruno Araújo, experiente servidor da FUNAI, grande conhecedor da região onde trabalha há anos e destacado defensor dos povos originários do Javari, não de hoje vinha sofrendo inúmeras ameaças, inclusive de morte, por parte daqueles que atuam ilegalmente naquela terra indígena, mas sem que esses fatos tenham sido efetivamente apurados pelas autoridades de segurança brasileiras.

É sabido que o governo Bolsonaro defende uma política de exploração dos territórios indígenas por mineradoras, madeireiros e outros e tem atuado durante o seu mandato para desmontar as insuficientes e precárias bases e mecanismos de proteção de certos territórios indígenas, como ocorrente quanto ao próprio Vale do Javari e outras áreas, deixando, portanto, os povos indígenas daquela região, assim como os servidores das agências do Estado que atuam na defesa do meio ambiente, dos povos indígenas, ribeirinhos e outros à deriva e ainda mais expostos às ameaças daquelas e daqueles que agem à luz do dia, espoliando as riquezas naturais e da biodiversidade.

O jornalista Dom Phillips estava por aquelas paragens preparando, como noticiado, ampla reportagem quanto a todo esse quadro de desmandos, ilegalidades e que também têm relação com a atuação de grupos transnacionais do crime organizado. Bruno, por seu conhecimento e experiência, certamente era uma importante fonte de informação para esse profissional da imprensa.

O desaparecimento de ambos, para além de extremamente preocupante, dadas as condições em que ocorreu, põe a nu a extrema precariedade das ações de vigilância e segurança daquela região fronteiriça. A inconcebível demora na atuação dos órgãos responsáveis do governo brasileiro em iniciar a busca por eles, usando todo o aparato para tanto necessário, quando o fato já ganhara repercussão na imprensa nacional e internacional, revela inegável afronta à dignidade das pessoas que vivem e trabalham em uma área sabidamente conflituosa, funcionando como um verdadeiro convite para ações dessa natureza no futuro próximo.

Esperamos e desejamos que Bruno e Dom Phillips sejam encontrados com vida, mas desde logo registramos nosso repúdio a toda a política de desprezo à vida humana, aos povos indígenas e à biodiversidade brasileira posta em prática pelo nefasto governo de Jair Bolsonaro.

Fração Nacional Indígena do PCB

quinta-feira, 9 de junho de 2022

Esposa de Dom Phillips acredita que não encontrará mais o marido com vida

Yahoo, Redação Notícias

qui., 9 de junho de 2022

O último contato de Alessandra com o marido Dom Phillips foi na quinta-feira (2) - Foto: JOAO LAET/AFP via Getty Images

Alessandra Sampaio, esposa do jornalista britânico Dom Phillips, diz que não tem mais esperanças de encontrar o marido vivo. Dom e o indigenista Bruno Pereira estão desaparecidos desde a manhã do último domingo (5), na Amazônia. Eles estavam em uma expedição entre a comunidade ribeirinha São Rafael até a cidade de Atalaia do Norte (AM) quando perderam o contato.

Em entrevista à GloboNews nesta quarta-feira (8), Alessandra falou da angústia que vive desde que soube, na segunda-feira (6), que Dom e Bruno não haviam retornado.  “É uma angústia de não saber o que ele está passando. Eu realmente não acho mais que ele e nem o Bruno… e eu estou tentando levar isso da melhor forma, porque acho que ele iria querer que eu fosse forte em uma situação dessa”, diz Alessandra.

A União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), informou que os dois profissionais desaparecidos se deslocavam com o objetivo de visitar a equipe de vigilância indígena que atua perto do Lago do Jaburu. O jornalista pretendia realizar algumas entrevistas com os habitantes daquela região. Segundo relatos, o desaparecimento ocorreu durante o trajeto da comunidade Ribeirinha São Rafael à cidade de Atalaia do Norte. O último contato de Alessandra com o marido foi na quinta-feira (2).

"O último contato foi na quinta porque ele ia para um lugar que não tinha sinal de celular. Isso era bem comum acontecer nas viagens dele. Então ele me falou que me ligaria no domingo. Se não fosse domingo, seria na segunda, no máximo", disse a Alessandra. De acordo com ela, na última conversa entre o casal, o marido estava tranquilo e avisou que ficaria sem ter como entrar em contato.

"Quando ele fazia esse tipo de viagem, ele tinha uma organização prévia muito detalhada. Ele me passava absolutamente todo o roteiro, todos os contatos. Sempre que ele conseguia contato comigo, ele me atualizava", contou, dizendo que era costume ela passar o dia todo com o celular na mão aguardando novidades. Ela também relatou que o casal sabia que o trabalho era arriscado, mas que seu marido nunca recebeu ameaças diretas.

“A gente sabia que era um trabalho que, de alguma forma, tinha um risco. Não que ele estivesse diretamente com uma ameaça e tal, mas são lugares muito ermos", disse em lágrimas. Alessandra, muito emocionada falou que deseja encontrar pelo menos o corpo de seu marido. “Queria encontrar pelo menos o corpo dele para poder finalizar essa história de horror e passar para uma outra etapa. Essa angústia de não saber se estão implorando por ajuda é uma tortura, é muito difícil”, ressaltou.

O superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Eduardo Alexandre Fontes, disse que não descarta nenhuma linha de investigação, inclusive a hipótese de homicídio, no caso do desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips. Ao todo, segundo a Polícia Federal, 250 agentes e dois aviões atuam nas buscas. Bruno Pereira e Dom Phillips sumiram no domingo (5).

segunda-feira, 6 de junho de 2022

INDIGENISTA E JORNALISTA DESAPARECERAM NO ENTORNO DE REGIÃO DO TAMANHO DE PORTUGAL

 



ESTADÃO – Leonencio Nossa

© Fornecido por EstadãoRio no Vale do Javari, no Amazonas; Dom Phillips e Bruno Araujo Pereira desaparecem no domingo Foto: Fabiano Maisonnave/AP

 

BRASÍLIA – O indigenista Bruno Araújo Pereira e o jornalista Dom Phillips estão desaparecidos na região de floresta mais intocada da Amazônia. Área de povos isolados, o Vale do Javari, entretanto, sempre esteve na mira do crime organizado da mineração e da madeira. É um vasto território indígena do tamanho de Portugal, no extremo oeste do Amazonas, demarcado em 1996 para a sobrevivência de uma dezena de povos, parte deles de língua e costumes não catalogados.

Há mais de dez anos no Javari, Bruno, um pernambucano de fala tranquila, moderado e sempre de bom humor, passou a enfrentar ameaças físicas em 2019. Os ataques não vinham apenas de garimpeiros, pescadores e madeireiros. Era de dentro da própria Funai, o órgão indigenista, agora controlado por militares e evangélicos, que Bruno passou a enfrentar resistência ao seu trabalho contra invasores do território do Javari. Tanto é que, naquele ano, ele pediu licença e passou a trabalhar diretamente no Civaja, uma entidade formada pelas próprias lideranças indígenas.

Quando o sertanista Sydney Possuelo soldou uma ponta de ferro no casco de um barco e resolveu esperar a chegada de outra embarcação com homens que queriam invadir o Javari, nos anos 1990, a batalha era de um indigenista contra um grupo de moradores de comunidades ribeirinhas incentivados por vereadores e prefeitos locais. Os indígenas contavam sobretudo com o apoio de entidades do Estado, como a Polícia Federal e o Comado Militar da Amazônia, para levar à frente o processo de fechamento dos rios à exploração de madeireiros e garimpeiros.

Mais de duas décadas depois, as comunidades do Javari e indigenistas travam uma batalha bem mais assimétrica. Lideranças indígenas atuais como Beto Marubo, que era criança quando Possuelo fazia suas expedições, enfrentam um momento dramático. Do outro lado agora estão empresários que adquiriram, nos últimos anos, grandes dragas, a maior parte delas financiadas por bancos públicos, que apostam na invasão das aldeias. No território indígena, vivem marubos, kulinas, tson-djapás, matises, kanamaris e corubos, povos que mantêm relações com a sociedade nacional, além de outros absolutamente isolados na mata, como os flecheiros das cabeceiras do Itaquaí e do Jutaí, alguns dos rios que nascem na área demarcada.

Favela Amazônica

Um novo retrato da floresta

Um olhar mais panorâmico mostra, no entanto, que os donos das grandes dragas são pontas de lança de grupos ainda mais potentes, nacionais e estrangeiros. Desde as pesquisas da Petrobrás em busca de campos de exploração de gás e petróleo, ainda nos anos 1970 - que deixaram marcas de sangue nas comunidades -, petroleiras e mineradoras dos Estados Unidos e da Europa não deixaram de cobiçar o Javari.

Quem anda hoje pelas comunidades ribeirinhas vizinhas do território demarcado percebe claramente ações e movimentos de forasteiros dos mais diversos – missionários estrangeiros, pesquisadores, negociantes, compradores de terras, uma infinidade de tipos exóticos. É uma gente que está na Amazônia em busca de negócios sem a mínima legalidade.

Com Jair Bolsonaro na Presidência, as peças no tabuleiro do jogo do Javari se alteraram drasticamente. O desafio de profissionais como Bruno, de Beto Marubo e das comunidades indígenas se tornou maior porque na retaguarda não há mais os órgãos da força legal que no passado ajudaram a garantir a preservação da floresta dos isolados. Esses ativistas enfrentam a batalha mais difícil, desigual e perigosa entre todos os que atuam na defesa da Amazônia.

Assista o vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=PQNW8d7AuZ4&t=6s 


sábado, 4 de junho de 2022

Pesquisas internas mostram que rótulo de “preguiçoso” colou em Bolsonaro e Planalto acende sinal de alerta

Jair Bolsonaro (Foto: Divulgação)

 

Motociatas e sequência de passeios corroboraram para a percepção nas redes sociais; Lula fez postagem chamando-o de "vagal da República"

4 de junho de 2022


247 - “Média de 3,6 horas trabalhadas por dia e dezenas de folgas autoconcedidas. Entre jogos de futebol, viagens para lazer e passeios de jetski, não sobra muito tempo para Bolsonaro trabalhar”. A postagem foi feita nesta sexta-feira (3) pela equipe do ex-presidente Lula nas redes sociais. Um meme apelida o presidente de “vagal da República”.

Mas não é só o principal adversário que tem compartilhado essa percepção. Pesquisas internas encomendadas pela equipe de Jair Bolsonaro, a partir de monitoramento nas redes, identificaram que o rótulo de “preguiçoso” pegou, depois de muitas sequências de passeios de moto e jet ski e agendas vagas e de meio período.

O resultado acendeu o alerta no entorno do presidente, publicou a coluna Radar, da Veja. Recentemente, um estudo comprovou que Bolsonaro trabalha, em média, menos de 5 horas por dia. A quantidade média de sua carga de trabalho ainda diminuiu nos últimos anos: passou de 5,6 horas em 2019, primeiro ano de governo, para só 3,6 horas este ano.Descrição: .

Confira o texto publicado no site de Lula:

Bolsonaro governa o país – governa? – como se estivesse permanentemente de férias

sexta-feira, 3 de junho de 2022

CPI do Sertanejo? Entenda a investigação dos shows que custaram R$ 5,7 milhões aos cofres de MT

 

Fala de Zé Neto (à esq.) atacando a cantora Anitta e a Lei Rouanet desencadeou uma sequência de investigações sobre o uso de dinheiro público para pagamento de shows sertanejos por prefeituras do interior do país. (Foto: Yahoo Notícias)

sex., 3 de junho de 2022

por Fabiana Mendes

Ministério Público de Mato Grosso determinou na quarta-feira (1º) a apuração de shows realizados por artistas sertanejos e de outros gêneros, contratados por prefeituras de 24 municípios com uso de recursos públicos. A investigação é resultado de um levantamento realizado pela imprensa com apresentações de artistas nos cinco primeiros meses deste ano. Neste período, os prefeitos pagaram mais de R$ 5,7 milhões. Desde que Zé Neto, da dupla com Cristiano, criticou a Lei Rouanet e ironizou uma tatuagem íntima de Anitta durante show realizado em Sorriso (MT), as contratações de cantores sertanejos por prefeituras de vários cantos do País passaram a ser alvo de críticas e investigações.

A investigação determinada pelo procurador-geral de Justiça de Mato Grosso, José Antônio Borges Pereira inclui o município de Sorriso, conhecido como a capital do agronegócio, onde tudo começou.

No show, Zé Neto disse não precisar da lei de incentivo à cultura.

“Nós somos artistas que não dependemos de Lei Rouanet, nosso cachê quem paga é o povo”. Ainda na apresentação, ele ironizou a tatuagem da funkeira. “A gente não precisa fazer tatuagem no ‘toba’ para mostrar se a gente tá bem ou não”.

Zé Neto tinha razão ao dizer que o cachê da dupla é pago pelo povo. Os sertanejos receberam R$ 400 mil de dinheiro público para subir ao palco da feira agropecuária. Na mesma noite, o evento contou também com apresentação do DJ Alok. O comentário foi suficiente para desencadear uma discussão sobre uso de dinheiro público para pagamento de cachês com valores exorbitantes a cantores sertanejos. Nas redes sociais o assunto ficou em alta e viralizou a #CPIdoSertanejo.

A partir de levamento realizado pela imprensa de Mato Grosso nesta semana, o MP pediu apuração das contratações. Parte dos shows são realizados em eventos comemorativos de aniversários de emancipação política das cidades. Uma das prefeituras alvo de investigação é a de Figueirópolis D'Oeste, distante 319 quilômetros de Cuiabá, com pouco mais de 3 mil habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para realização do evento de celebração do 51º aniversário da cidade, no mês passado, o município gastou R$ 620 mil em dinheiro público, cerca de R$ 200 por habitante. Nos três dias de evento, entre outros artistas, se apresentaram Thaeme & Thiago e Jads & Jadson. As duplas receberam R$ 182 mil e R$ 193 mil, respectivamente. As contratações foram publicadas no Diário Oficial do Estado (DOE).

“Circulam em veículos de imprensa nacional e local notícias sobre atrações artísticas musicais contratadas para eventos em municípios mato-grossenses, segundo indicam, custeados com recursos públicos”, afirma José Antônio Borges Pereira, ao determinar a investigação.

No mesmo despacho, o procurador-geral determina “a remessa de cópia integral do procedimento gerado a todos os Promotores de Justiça que detenham atribuição na defesa do patrimônio público e da probidade administrativa nas comarcas citadas (...), para conhecimento e providências que entenderem pertinentes no âmbito de suas respectivas áreas de atuação”.

quinta-feira, 2 de junho de 2022

Paraná Pesquisas, que aponta "empate técnico", fechou contrato de R$ 1,6 milhão com governo Bolsonaro

Bolsonaro e Murilo Hidalgo (Foto: REUTERS/Ranu Abhelakh | Reprodução)

 






Instituto Paraná Pesquisas fechou contrato milionário com o governo Bolsonaro dois meses antes da divulgação da pesquisa que foi celebrada entre bolsonaristas

2 de junho de 2022

247 - O Instituto Paraná Pesquisas fechou um contrato com o governo federal para prestação de serviços de pesquisa no valor de R$ 1,6 milhão dois meses antes de divulgar uma pesquisa favorável às chances de reeleição de Jair Bolsonaro. No mais recente levantamento do instituto, o chefe de governo teria 35,3% dos votos contra 41,4% do ex-presidente Lula, no cenário estimulado. Já no cenário espontâneo, a pesquisa apontou empate técnico: Lula teria 28,3% e Bolsonaro, 27,3%. A reportagem é de Lúcio de Castro, da Agência Sportlight

Os resultados do Paraná Pesquisas chamaram a atenção. Uma semana antes, a pesquisa Datafolha apontou Lula com chances de vencer no primeiro turno, tendo 48% dos votos contra 27% de Bolsonaro. O contrato 37/2022, assinado no dia 30/3 pelo Ministério das Comunicações e pelo Instituto Paraná de Pesquisas e Análises de Consumidor no valor de R$ 1.623.600,00, tem como objeto a “contratação de empresa especializada na prestação de serviços de pesquisa de opinião pública”, segundo o termo oficial. 

O governo Bolsonaro também gastou, no dia 31/3, através do Ministério das Comunicações, R$ 11.900.000,00 para pesquisas quantitativas do Instituto de Pesquisa de Reputação e Imagem (IPRI), que tem entre seus sócios a FSB. Embora os contratos não citem diretamente o termo 'eleição', isto não impediu que eles tenham, entre outras exigências que indicam possível utilização em campanha, a de “que os participantes da pesquisa de opinião sejam residentes das localidades escolhidas com idade maior ou igual a 16 anos”. Ou seja: realizada apenas com eleitores.

SÓCIO DENUNCIADO POR LAVAGEM DE DINHEIRO E ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA POR PESQUISAS SIMULADAS

Em 2020, o Ministério Público Federal de São Paulo (MPF-SP) denunciou o sócio do Instituto Paraná Pesquisas Murilo Hidalgo Lopes de Oliveira (foto) por lavagem de dinheiro e associação criminosa. Ele teria celebrado contrato “ideologicamente falso” com a farmacêutica Hypermarcas que previa a simulação de uma pesquisa para o grupo, possibilitando a emissão de uma nota fiscal e, posteriormente, em operação triangular, o repasse de propina ao ex-deputado Paulo Roberto Bauer. Dois contratos de R$ 750.000,00 foram assinados na ocasião. 

EM TEMPO: Bozo é o "capeta". Será que vai adoecer em plena campanha eleitoral?  Se não me engano, essa Paraná também fez e faz pesquisa em PE.