terça-feira, 1 de setembro de 2026

‘Há uma aposta muito perversa na desestabilização institucional do Brasil’, alerta Carol Proner

 

Análise da jurista ocorre após divulgação de material sobre mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro

Conteúdo postado por: Leonardo Lucena

Publicado em 1 de setembro de 2026


Carol Proner Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil

247 – A jurista Carol Proner denunciou nesta terça-feira (1) que existe no Brasil uma tentativa de levar o País ao “caos institucional, desqualificando advogados, rivalizando juízes, procuradores e a própria Polícia Federal, ao tempo em que favorece estratégias eleitorais sorrateiras”. A integrante da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) sinalizou que investigações técnicas precisam ser preservadas dentro do Supremo Tribunal Federal, mas também alertou contra “uma aposta muito perversa de desestabilização institucional do Brasil” que estaria sendo orquestrada por opositores do governo.

A estudiosa comentou a repercussão do material tornado público pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça sobre trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. A PF enviou ao relator o documento com os diálogos. 

“Para quem estuda processo constitucional, o Brasil é o ‘hit’ do momento. A situação de hoje beira o inacreditável e expõe o modelo democrático diante dos grandes arranjos de concentração de poder econômico e político”, continuou a jurista. 

“Manchete de todos os jornais é a escandalosa notícia de que um ministro da Suprema Corte, com base em vazamentos de informações policiais para setores da imprensa, acusa outro ministro de cometer advocacia administrativa, abuso de poder e outros ilícitos”. 

Pedro Serrano

A jurista Carol Proner também destacou a importância da análise feita pelo jurista Pedro Serrano, que deu entrevista à TV 247 nesta terça (1). Em participação no programa Boa Noite 247, o estudioso demonstrou confiança nas investigações do STF e disse que “o plenário do Supremo é soberano na democracia”.

Conforme destacou a jurista Carol Proner, Serrano expôs “a complexidade do problema” em um contexto de “avalanche de fatos e direcionamento para linchamentos midiáticos”. “Serrano identifica a incidência de lógicas cruzadas entre sistema de justiça e sistema midiático, este pretendendo prevalecer sobre o outro”, pontuou ela.

“Naturalmente são sistemas que se relacionam entre si, mas um não pode superar a lógica do outro, sob pena de censura ou cerceamento de defesa e garantias: a jurisdição não pode ser exercida para censurar a imprensa. Por sua vez, a imprensa não pode pretender substituir a jurisdição em juízos de justiça. Esse é o ponto de partida para entender”.

Extrema direita

A jurista defendeu a integridade das investigações, porém não foi à tona que ela citou “aposta perversa”, mesmo sem mencionar a família Bolsonaro e a extrema direita brasileira. Nos últimos anos, políticos bolsonaristas e seus apoiadores estimularam ações golpistas contra o STF.

Além das 29 pessoas condenadas pelo Supremo na investigação sobre o plano golpista elaborado ainda no governo Bolsonaro, ministros da Corte também emitiram mais de 1,4 mil condenações nas investigações dos atos golpistas do 8 de Janeiro de 2023, quando bolsonaristas invadiram as estruturas do STF, do Palácio do Planalto e do Congresso. 

Os ataques da família Bolsonaro ao STF aumentaram após setembro do ano passado. No dia 11 daquele mês, magistrados condenaram Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão no inquérito da trama golpista. 

Marcelo Uchôa

Outro jurista – Marcelo Uchôa – se manifestou sobre o material tornado público pelo STF e comentou sobre cobertura jornalística acerca dos casos Moraes e o do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que mentiu sobre os recursos enviados por Vorcaro ao filme Dark Horse, retrato biográfico de Jair Bolsonaro (PL), em prisão domiciliar atualmente após ser condenado por ministros do STF a 27 anos de cadeia na investigação sobre a trama golpista.

O senador da extrema direita havia afirmado que Daniel Vorcaro suspendeu em maio de 2025 os pagamentos destinados a Dark Horse. Mas o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou que o ex-banqueiro fez um novo repasse ao Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, em 16 de setembro do ano passado. O fundo administra os recursos ligados à produção do filme.

A transferência, no valor de US$ 1,6 milhão, ocorreu oito dias depois de Flávio Bolsonaro cobrar de Vorcaro parcelas em atraso. Com esse novo pagamento, o montante enviado pelo empresário ao longa passou de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões, valor superior a R$ 65 milhões.

Os investigadores também apuram se Vorcaro fez outro repasse de US$ 1,6 milhão ao filme. Em 22 de outubro do ano passado, Flávio Bolsonaro procurou novamente o ex-banqueiro. Caso essa transferência tenha ocorrido, o total disponibilizado pelo empresário para investir na produção chegaria a US$ 14 milhões, o equivalente a R$ 72 milhões.

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