Planalto avalia que senador legitimou medidas dos EUA e atuou contra os interesses do país
Redação Brasil 247. Publicado
em 7 de julho de 2026.
Flávio Bolsonaro Crédito: Lula Marques/Agência Brasil
247 – O governo
brasileiro afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) atuou contra os
interesses do país ao participar, nos Estados Unidos, de uma audiência pública
sobre a possível imposição de tarifas adicionais a produtos brasileiros. Em
nota divulgada nesta terça-feira (7), a Secretaria de Comunicação Social da
Presidência da República repudiou a intervenção do parlamentar e acusou o
pré-candidato à Presidência de tentar transformar uma discussão comercial em
manobra eleitoral.
A reação do
Planalto teve como ponto central a avaliação de que Flávio não defendeu o
Brasil diante das autoridades estadunidenses. Segundo o governo, o senador
evitou se posicionar contra o tarifaço e preferiu sugerir o adiamento da medida
em razão da proximidade da eleição presidencial brasileira, marcada para
outubro. Para a Secom, a postura teve “claro objetivo eleitoreiro”.
No trecho mais duro
da manifestação, o governo afirmou que há uma diferença essencial entre fazer
oposição ao Palácio do Planalto e agir contra o país. “Divergir do governo é
legítimo. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é
traição à Pátria. Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e
fazer oposição ao país e ao povo brasileiro”, diz a nota.
O Planalto também
acusou Flávio Bolsonaro de legitimar as justificativas apresentadas pelos
Estados Unidos para pressionar comercialmente o Brasil. “Em vez de rebater as
alegações infundadas do governo norte-americano para taxar o Brasil, o senador
optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra
empresários e trabalhadores do nosso país”, afirmou a Secretaria de
Comunicação.
A audiência foi
promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR),
no âmbito da chamada Seção 301, procedimento usado por Washington para avaliar
práticas comerciais de outros países e embasar eventuais retaliações. O
encontro integra a fase de consulta pública antes da decisão sobre a aplicação
de novas tarifas contra produtos brasileiros.
Segundo o governo
brasileiro, 78 entidades e pessoas físicas se inscreveram para se manifestar
sobre o tarifaço. Desse total, 63 se posicionaram contra a medida e 15 a favor.
Entre as 44 intervenções de participantes norte-americanos, 30 foram contrárias
às tarifas e 14 favoráveis. Já entre os 34 brasileiros inscritos, apenas Flávio
Bolsonaro não se colocou contra as medidas contra o Brasil, optando por
defender o adiamento.
A participação do
senador ocorreu ao lado do irmão, o ex-deputado federal cassado Eduardo
Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos e tem atuado em defesa de sanções e
pressões contra autoridades brasileiras. Para o Planalto, a atuação dos dois
reforça a acusação de que a família Bolsonaro busca levar a disputa política
interna para o campo das relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos.
Na nota, o governo
afirmou ainda que Flávio “não negou que a campanha promovida por sua família e
seus aliados esteve na origem do tarifaço contra o Brasil”. A Secom também
disse que o senador não aproveitou a audiência para reconhecer que errou ao
contrariar os interesses da população brasileira.
Outro ponto
destacado pelo governo foi a posição atribuída a Flávio Bolsonaro em relação à
regulação do ambiente digital. Segundo a nota, o senador defendeu a revogação
de decretos brasileiros que buscam impedir a circulação de conteúdos criminosos
e enfrentar a violência contra mulheres nas plataformas digitais. Para a Secom,
essa agenda “só interessa a dois grupos: quem lucra com o caos e quem precisa
dele para cometer crimes”.
O Planalto também
rebateu referências feitas pelo senador ao caso Master. Na avaliação do
governo, Flávio citou o episódio sem mencionar sua origem vinculada ao governo
de Jair Bolsonaro e sem tratar de seus próprios vínculos com Daniel Vorcaro. A
nota afirma que o senador pediu mais de R$ 130 milhões a Vorcaro, sob a
justificativa de produzir um filme sobre Jair Bolsonaro (PL).
A Secretaria de
Comunicação relacionou ainda o caso Master aos descontos ilegais que atingiram
aposentados e pensionistas do INSS. Segundo o governo, ambos os episódios
começaram no governo Bolsonaro. A nota afirma que foi na atual gestão que o
esquema no INSS foi desarticulado pela Controladoria-Geral da União e pela
Polícia Federal, com devolução de R$ 3,2 bilhões a 4,2 milhões de beneficiários.
O Pix também entrou
na reação oficial. O governo acusou Flávio Bolsonaro e sua família de tentarem
alterar o discurso sobre o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.
Segundo a Secom, depois de ataques feitos ao longo do último ano, o senador
agora tenta passar a imagem de defensor do Pix, mas ainda propõe subordiná-lo
aos interesses estadunidenses.
Na sequência da
audiência, o governo ressaltou que mantém negociações com os Estados Unidos
desde julho de 2025 para tentar reverter tarifas consideradas injustificadas. A
estratégia envolve reuniões técnicas, cartas, telefonemas e encontros de alto
nível para demonstrar que as medidas não têm fundamento.
Enquanto Flávio
Bolsonaro participava da audiência pública, técnicos do Ministério do Desenvolvimento,
Indústria, Comércio e Serviços, do Itamaraty, do Ministério da Justiça e do
Palácio do Planalto estavam reunidos com representantes do USTR para tentar
desfazer o tarifaço. Para o governo, o contraste mostra que, enquanto a
diplomacia brasileira buscava uma solução institucional, o senador tentava
politizar as relações entre os dois países.
Confira a íntegra da nota
O governo
brasileiro repudia a intervenção do senador Flávio Bolsonaro em audiência
pública realizada, nesta terça-feira (7), pelo Escritório do Representante
Comercial dos Estados Unidos (USTR), aberta à participação do setor privado e
da sociedade civil para discutir a imposição de tarifas contra o Brasil.
Ao todo, 78
entidades e pessoas físicas se inscreveram para se manifestar sobre o tarifaço.
Desse total (somando brasileiros e estadunidenses), 63 são contra o tarifaço,
15 são a favor.
Das 44 intervenções
de estadunidenses, 30 são contra o tarifaço e 14 a favor. Entre os 34
brasileiros inscritos, só Flávio Bolsonaro não se posicionou contrário às
medidas contra o Brasil, optando por sugerir o seu adiamento, com claro
objetivo eleitoreiro.
Em vez de rebater
as alegações infundadas do governo norte-americano para taxar o Brasil, o
senador optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra
empresários e trabalhadores do nosso país.
O senador não negou
que a campanha promovida por sua família e seus aliados esteve na origem do
tarifaço contra o Brasil. Tampouco aproveitou a audiência de hoje para
reconhecer que errou ao contrariar os interesses do povo brasileiro.
O senador defendeu
a revogação de decretos brasileiros que previnem a circulação de conteúdos
criminosos e enfrentam a violência contra mulheres no ambiente digital. Isso só
interessa a dois grupos: quem lucra com o caos e quem precisa dele para cometer
crimes.
Ao citar o caso
Master, maior esquema de corrupção da história do país, omitiu sua origem
vinculada ao governo de Jair Bolsonaro. Também esqueceu de mencionar seus
próprios vínculos com Daniel Vorcaro, para quem pediu mais de 130 milhões de
reais para, segundo ele alega, produzir um filme sobre o seu pai.
Assim como o caso
Master, os descontos ilegais que prejudicaram milhões de aposentados e
pensionistas do INSS também começaram no governo Bolsonaro. Foi no atual
governo que o esquema foi desbaratado pela Controladoria Geral da União e a
Polícia Federal e que 3,2 bilhões de reais que haviam sido desviados foram
devolvidos para 4,2 milhões de beneficiários.
Ao contrário do que
o senador Flávio Bolsonaro e sua família defenderam ao longo do último ano, ele
agora tenta mudar o discurso e passar a imagem de que defende o PIX. Mesmo
assim, propõe subordinar o PIX aos interesses norte-americanos.
O governo
brasileiro negocia ininterruptamente com os Estados Unidos desde julho de 2025
para reverter as tarifas aplicadas injustificadamente contra o Brasil. Por meio
de reuniões, cartas, telefonemas e encontros no mais alto nível, temos
demonstrado que as tarifas não têm fundamento.
Esta manhã,
enquanto o senador Flávio Bolsonaro tentava politizar as relações entre o
Brasil e os Estados Unidos, funcionários do Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio; Itamaraty; Ministério da Justiça; e do Palácio do
Planalto mantinham reunião com técnicos do USTR para desfazer o tarifaço contra
o Brasil.
Divergir do governo
é legítimo. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é
traição à Pátria. Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e
fazer oposição ao país e ao povo brasileiro.
Secretaria de Comunicação Social da
Presidência da República

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