quinta-feira, 9 de julho de 2026

EUA querem desestabilizar o Brasil, diz Reynaldo Aragon

Analista afirma que pressões de Washington miram economia, soberania e estabilidade política brasileira

Redação Brasil 247 Publicado em 9 de julho de 2026



Lula e Donald TrumpCrédito: Ricardo Stuckert/PR I Divulgação

247 – O jornalista Reynaldo Aragon afirmou, no Giro das Onze, da TV 247, que os Estados Unidos intensificam uma estratégia de pressão contra o Brasil para fragilizar a economia, afetar a confiança internacional no país e atingir a soberania nacional. Em entrevista a Gustavo Conde, ele relacionou a ofensiva de Washington a disputas globais envolvendo China, Rússia, Irã, tecnologia, energia, portos, minerais críticos e rotas comerciais.

Segundo Aragon, a reação norte-americana à decisão brasileira envolvendo Sergei Vladimirovic Cherkasov, apontado pelo FBI como espião russo, deve ser vista dentro de uma tentativa mais ampla de associar o Brasil a países considerados adversários pelos Estados Unidos. “Eles vão utilizar todo tipo de artifício para tentar desestabilizar o Brasil perante o mundo”, afirmou.

Para o jornalista, Washington tenta construir narrativas que apresentem o Brasil como um país hostil, inseguro para investimentos ou próximo do chamado “eixo do mal”. “Agora vai aparecer espião russo, espião chinês, vai aparecer traficante de droga colombiano e brasileiro. Vai aparecer todo tipo de situação que eles possam ir configurando o Brasil como um país hostil”, disse.

Aragon avalia que a ofensiva tende a ocorrer sobretudo no campo econômico, financeiro e institucional, mais do que por meio de confronto militar direto. Ele afirmou que acusações envolvendo espionagem, narcotráfico, contratos com Irã ou China e insegurança jurídica poderiam ser usadas para reduzir a confiança do mercado no Brasil. “Essas agressões vão vir no campo econômico, no campo das finanças, no campo do comércio”, declarou.

Na avaliação do jornalista, o Brasil passou a ser visto como destino relevante de investimentos em meio à instabilidade na Europa, à guerra na Eurásia e à crise política nos Estados Unidos. Por isso, afirmou, Washington teria interesse em reduzir a atratividade brasileira. “O Brasil é o grande porto seguro no mundo hoje. Eles querem acabar com isso”, disse. “Eles querem desestruturar a nossa economia e fazer que o Brasil não seja um país confiável para investimento.”

O jornalista também relacionou a pressão norte-americana à disputa por infraestrutura estratégica. Segundo ele, a guerra contemporânea não se limita à conquista territorial, mas ao controle de fluxos econômicos. “A guerra hoje não é por território, a guerra é por rotas e fluxos comerciais. Quem controla a rota e o fluxo controla a produção”, afirmou.

Aragon citou portos, corredores logísticos, energia e minerais críticos como áreas centrais dessa disputa. Para ele, a presença chinesa em projetos de infraestrutura na América Latina provoca reação dos Estados Unidos, que tentam preservar influência sobre pontos estratégicos do continente.

O jornalista também tratou da possibilidade de Washington usar a classificação de facções brasileiras como organizações terroristas para justificar maior pressão sobre o país. Ao comentar alertas feitos pelo Itamaraty sobre riscos de uso da força, afirmou: “Se isso chegou ao ponto do Itamaraty, de uma afirmação do Mauro Vieira nisso, é porque existem riscos reais.”

Na frente institucional, Aragon disse que o Judiciário, o TSE e a regulação das plataformas digitais estão no centro da disputa. Para ele, Alexandre de Moraes se tornou alvo de big techs e de setores da extrema direita. “O que está acontecendo agora é muito sério. A gente tem que ficar de olho no Judiciário”, afirmou.

Ao analisar o cenário internacional, Aragon disse que o cessar-fogo entre Estados Unidos, Israel e Irã foi apenas uma pausa militar. “Esse cessar-fogo, na verdade, era uma pausa de reorganização das forças”, declarou. Para ele, a guerra no Oriente Médio e o conflito entre Rússia e Ucrânia integram uma disputa maior contra a China.

Segundo Aragon, Rússia e Irã são peças estratégicas para rotas comerciais, gasodutos, oleodutos e ferrovias ligados à Eurásia. Nesse contexto, afirmou, o Brasil também entra no tabuleiro global. A ofensiva contra o país, concluiu, combina guerra econômica, pressão diplomática, disputa tecnológica e ataques institucionais, exigindo atenção à defesa da soberania nacional.

 

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