O Brasil perdeu porque mereceu perder. E só voltará a vencer quando recuperar o respeito por sua história e também pelos adversários
Por Leonardo Attuch
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| Haaland celebra a vitória da Noruega Crédito: Reuters |
A eliminação do
Brasil diante da Noruega foi merecida. E há dois culpados centrais por esta
derrota: a CBF e Carlo Ancelotti.
A CBF, em primeiro
lugar, por ter naturalizado uma ideia absurda: a de que o país mais tradicional
do futebol mundial não teria um brasileiro capaz de comandar sua própria
seleção. É ridículo que o Brasil, pentacampeão mundial, celeiro de jogadores,
técnicos, escolas, ideias e paixões futebolísticas, tenha se colocado na
posição subalterna de buscar fora aquilo que deveria ser capaz de produzir
dentro de casa.
Se fosse mesmo
necessário escolher um estrangeiro — e não era — que fosse Abel Ferreira, do
Palmeiras. Abel vive o futebol brasileiro há anos, conhece nossos jogadores,
entende o calendário, a pressão, a cultura, os vícios e as virtudes do nosso
futebol. Além disso, coleciona títulos. Seria uma escolha muito mais lógica do
que apostar em um técnico consagrado na Europa, mas distante da realidade
brasileira.
Ancelotti errou ao
longo de toda a Copa. Errou nas escalações, nas leituras de jogo e nas
substituições. Insistiu em atacantes pouco efetivos, como Raphinha na primeira
fase e depois Rayan, duas peças inexpressivas quando o Brasil precisava de
protagonismo. Endrick, que deveria ter sido usado mais cedo, só entrou no
segundo tempo contra a Noruega, quando o jogo já estava travado e o Brasil
precisava desesperadamente de soluções.
Outro erro crasso
foi escolher Bruno Guimarães para bater o pênalti. Bruno vinha sendo o melhor
jogador do Brasil na Copa, mas foi colocado na fogueira. Caminhou para a bola
com o pânico escancarado nos olhos. Um técnico experiente deveria ter percebido
isso. Pênalti em jogo eliminatório não é apenas técnica: é cabeça, hierarquia e
responsabilidade.
E aí vem outra
contradição: se Neymar foi convocado e tinha condições de jogar no segundo
tempo, poderia ter começado jogando. Até porque Neymar é o principal batedor de
pênaltis do Brasil. Em uma partida decidida nos detalhes, deixar seu jogador
mais decisivo no banco foi mais uma demonstração da confusão de Ancelotti.
Também é
escandaloso que um técnico receba R$ 5 milhões por mês, tenha contrato renovado
até 2030 independentemente dos resultados e ainda faça propaganda para uma
cervejaria, a Ambev. A seleção brasileira não pode ser tratada como plataforma
de marketing nem como brinquedo de cartolas.
Por fim, é hora de
acabar com a soberba. O “créu” como resposta à remada viking norueguesa foi
outra cena ridícula. Além de desrespeitar o adversário, associa o Brasil ao
deboche barato e ao sexismo. A Noruega respondeu em campo. Com seriedade,
organização e Haaland.
O Brasil perdeu
porque mereceu perder. E só voltará a vencer quando recuperar o respeito por si
mesmo, por sua história e também pelos adversários.
EM TEMPO: Em primeiro lugar se faz
necessário democratizar as escolhas dos Presidentes das Federações e da CBF.
Rever os salários altíssimos dos presidentes e essas entidades não podem
funcionar como empresas privadas. Faz-se necessário que o Estado Brasileiro tenha
participação e os órgãos de fiscalização atuem dentre da lei. O técnico
Ancelotti é um bom técnico, mas o Brasil carece de craques como antigamente. O
futebol europeu cresceu bastante e a maioria das seleções jogam de igual para
igual contra o Brasil. Agora, a seleção não deve sofrer influência dos
patrocinadores. Neymar não está no auge da sua carreira, mas não atrapalhou,
nem perdeu pênalti, nem perdeu gol na área adversária, a exemplo de Endrick e
Casimiro. Neymar deveria entrar no início do segundo tempo para desestruturar a
defesa adversária. Mas, carece da devida orientação psicológica. Não sei se a equipe possui um corpo social, a exemplo de: psicólogo(a) + professores de português, espanhol, inglês e de boas maneiras educativas + sociólogos(as). Ok, Moçada!

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