Presidente afirma que senador do PL pediu aos Estados Unidos o adiamento do tarifaço apenas por interesse eleitoral, acusa a família Bolsonaro de entreguismo e diz que a soberania brasileira é inegociável.
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| Lula no Ceará. Crédito: Ricardo Stuckert |
Redação Brasil 247
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou
nesta quinta-feira que o pedido feito pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao
governo dos Estados Unidos para adiar a entrada em vigor do tarifaço sobre
produtos brasileiros até depois das eleições de 2026 constitui “mais uma
atitude de traidores da pátria”. Em uma sequência de declarações nas redes
sociais, Lula explicou por que considera a iniciativa um ataque aos interesses
nacionais e afirmou que “nunca houve e não há qualquer justificativa para o
tarifaço, agora ou depois”.
As informações
foram publicadas inicialmente pelo Valor
Econômico. Segundo a reportagem, Lula reagiu ao documento enviado por
Flávio Bolsonaro ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos
(USTR), no qual o senador pede que a sobretaxa seja implementada apenas após a
disputa presidencial de 2026. No texto encaminhado às autoridades
norte-americanas, Flávio argumenta que a adoção da medida neste momento
fortaleceria politicamente o governo Lula, razão pela qual defende seu
adiamento, embora não peça a suspensão da investigação comercial conduzida
pelos Estados Unidos.
Na avaliação do
presidente, a iniciativa evidencia que interesses eleitorais foram colocados
acima dos interesses nacionais. “É inaceitável que a família Bolsonaro, com o
seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos,
como fica claro no documento enviado hoje por um de seus integrantes ao governo
norte-americano”, escreveu Lula.
“Não há motivo para
o tarifaço”
Lula ressaltou que
a questão central não é o momento da aplicação das tarifas, mas a inexistência
de qualquer justificativa para que elas sejam impostas ao Brasil.
“Nunca houve e não
há qualquer justificativa para o tarifaço, agora ou depois”, afirmou o
presidente, rejeitando a tese de que bastaria postergar a medida para depois
das eleições presidenciais.
Segundo Lula, o
aspecto mais grave da crise comercial é justamente sua origem política. O
presidente declarou que considera “mais absurdo” o fato de que o movimento
tenha sido estimulado pela própria família Bolsonaro.
“O aspecto mais
absurdo desse episódio é que sua origem foi motivada pela família Bolsonaro,
que defendeu publicamente o aumento de tarifas contra o Brasil”, afirmou.
Soberania nacional
e defesa do Pix
Ao rebater a
posição do senador, Lula reafirmou que a soberania brasileira não será objeto
de negociação.
“Nossa Pátria não
está à venda. Nossa soberania é inegociável”, declarou.
O presidente também
relacionou o episódio à investigação aberta pelo USTR envolvendo o Pix, sistema
brasileiro de pagamentos instantâneos. Segundo Lula, a família Bolsonaro
estaria atuando contra um dos principais instrumentos de inovação financeira do
país.
“Eles querem
entregar o Pix a interesses estrangeiros. Não vão conseguir. O Pix é uma
conquista do Brasil e não vamos abrir mão dele”, afirmou.
Lula acrescentou
ainda que defender o fim do Mercosul representaria “outro ataque ao interesse
do povo brasileiro”.
Governo mantém
negociação com os Estados Unidos
Apesar das críticas
à postura de Flávio Bolsonaro, Lula reiterou que o Brasil continuará buscando
uma solução diplomática para a disputa comercial com os Estados Unidos.
Segundo o
presidente, o governo brasileiro seguirá dialogando “de igual para igual” com
qualquer país, inclusive com os Estados Unidos.
O governo federal
tenta impedir que entre em vigor, após 15 de julho, a tarifa adicional de 25%
recomendada pelo USTR ao fim da investigação aberta com base na Seção 301 da
legislação comercial norte-americana.
Em entrevista
exclusiva ao Valor Econômico,
o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias
Rosa, afirmou que, caso a medida seja efetivamente implementada pelo governo de
Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, o Brasil buscará negociar a
redução da alíquota, a suspensão da medida e a exclusão de setores considerados
sensíveis, estratégia semelhante à adotada durante o primeiro tarifaço aplicado
no ano passado.

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