Assessor especial da Presidência disse que diálogo e reforma da ONU são prioridades da política externa brasileira
27 de maio de 2026
O assessor-chefe da Assessoria Especial do Presidente da República para Assuntos Internacionais, Celso Amorim (Foto: Roque de Sá/Ag. Senado)
Por Otávio Rosso
247 - O assessor
especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Celso
Amorim, afirmou que o Brasil considera a Rússia um país alinhado à defesa de
uma ordem mundial multipolar. Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, o
diplomata destacou a importância do diálogo entre as nações e defendeu soluções
pacíficas para conflitos internacionais.
Segundo Amorim, a política externa do
governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca manter interlocução com
diferentes potências globais. A declaração foi dada durante agenda
internacional em que o assessor também se reuniu com representantes do governo
russo.
“O Brasil quer ter bom diálogo com
todos os países do mundo, sobretudo os países que têm grande influência no que
acontece na política mundial”, afirmou Amorim à Sputnik Brasil.
O assessor citou encontros recentes
do presidente Lula com líderes internacionais e destacou sua participação em
conferências internacionais, além do contato com autoridades russas, como o
secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Serguei Shoigu, e o chanceler
Sergey Lavrov.
Para Amorim, o entendimento entre os
países exige disposição para ouvir diferentes perspectivas. “Acho que
contribuem para haver um maior entendimento, cada um expor suas razões, mas não
só expor as suas razões, mas ser capaz de entender também as razões dos outros
e procurar uma solução pacífica entre as questões”, declarou.
Ao defender a tradição diplomática
brasileira, o assessor ressaltou o histórico de estabilidade regional da
América do Sul. “O Brasil tem fronteiras com 10 países. Há 150 anos não temos
uma guerra. Então é possível. É possível”, disse.
Amorim também argumentou que
divergências internacionais podem ser solucionadas por meio da diplomacia e da
negociação. “Você pensa que não tem problema? Tem problema, mas a gente resolve
pacificamente, na discussão, na fala, na conversa”, afirmou.
Sobre a relação com Moscou, o
diplomata declarou que o Brasil identifica na Rússia uma compreensão semelhante
à brasileira sobre a necessidade de mudanças na governança global. “Eu acho que
o Brasil vê a Rússia como um país que tem uma compreensão de que é necessário
um mundo multipolar, como eles mesmos falam”, disse.
Na avaliação de Amorim, a principal expressão
institucional dessa multipolaridade seria a ampliação do Conselho de Segurança
das Nações Unidas. “A expressão jurídica da multipolaridade é estar lá no
Conselho de Segurança”, concluiu.

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