Parte 1: pré-candidatura do PCB à Presidência
Transcrição realizada por Luca da Silva
Ávila
Breno Altman: Boa noite. Hoje é 17 de março de 2026. Meu nome é Breno Altman e estamos dando início a mais um episódio do programa 20 Minutos.
A esquerda brasileira chega às eleições de 2026 atravessada por dilemas e desafios frente aos riscos de vitória da extrema direita. Nesse cenário, surgem candidaturas que questionam o projeto liderado pelo PT e pelo presidente Lula, apresentando uma crítica ao que consideram ser uma estratégia definida pela conciliação de classes.
Nesse contexto, insere-se a pré-candidatura de Edmilson Costa, presidente nacional do Partido Comunista Brasileiro, o Partidão. Com uma longa trajetória vinculada ao marxismo, o PCB aposta na afirmação de um projeto socialista como alternativa à ordem vigente. Seu possível postulante ao Palácio do Planalto é um histórico militante comunista, desde os tempos da ditadura militar. Para compreendermos os objetivos e as propostas dessa pré-candidatura, vamos conversar com o próprio Edmilson Costa em mais uma entrevista com nomes que estão entrando na corrida presidencial. Fiquem conosco, já vamos começar.
Breno Altman: Boa noite, Edmilson.
Muito obrigado por ter aceitado o nosso convite e por ter vindo aqui aos nossos
estúdios.
Edmilson Costa: Boa
noite, Breno. Quero agradecer o espaço e dizer que a Ópera Mundi é um canal
progressista que sempre abre espaço para propostas alternativas. Agradeço muito
pelo espaço.
Breno Altman: Muito
obrigado. Edmilson, o que motiva sua pré-candidatura à presidência da
República?
Edmilson Costa: A
nossa pré-candidatura, a pré-candidatura do Partido Comunista Brasileiro, tem o
objetivo de realizar a disputa política visando à mudança do país. Sabemos que
vivemos uma situação complexa e difícil, e vamos colocar um conjunto de temas
que outras candidaturas não querem ou não podem abordar, em função de suas
identidades de classe, de suas posições ideológicas ou mesmo das alianças que fazem
no período eleitoral. Entre esses temas estão a dramática situação da população
brasileira, o enfrentamento ao imperialismo, a solidariedade internacional e a
necessidade de um conjunto de reformas para mudar a realidade do nosso país.
Vivemos uma situação
complexa e difícil, mas, como você sabe, os comunistas sempre atuaram em
conjunturas assim. Até porque, se a vida fosse fácil, já teríamos chegado ao
socialismo. Se olharmos o cenário internacional, veremos que a eleição de Trump
mudou a qualidade da intervenção do imperialismo no mundo. Eles agora estão
mais agressivos e não respeitam mais nem mesmo as próprias leis internacionais
que criaram.
No plano interno,
podemos dizer que a vitória de Lula teve uma importância fundamental, porque
nos livrou daquele genocida que, neste momento, está preso. No entanto, Lula
não cumpriu um conjunto de promessas feitas à população brasileira e governa
essencialmente para o capital, restando à população apenas as migalhas da
compensação social. Ou seja, essas questões merecem uma resposta política, e a
nossa candidatura busca oferecer essas respostas.
Por quê? Porque temos
a impressão de que a população está cansada da velha política que sempre
privilegiou os ricos e poderosos em nosso país. A população também está cansada
dos velhos políticos que prometem o paraíso nas campanhas eleitorais e, quando
vencem, viram as costas para o povo.
E o que acontece na
sociedade brasileira? Enquanto isso, vemos uma população na miséria, a maioria
dos trabalhadores vivendo com baixos salários, a juventude sem perspectivas,
serviços precarizados, a saúde em crise, o caos urbano e um conjunto de
problemas que afetam diretamente a população mais pobre. Por outro lado,
milionários, industriais, banqueiros, especuladores e grandes proprietários do
agronegócio acumulam enormes lucros à custa do povo trabalhador.
Essa conjuntura
também exige uma resposta. É nesse sentido que afirmamos: o Brasil precisa ser
devolvido ao seu verdadeiro dono, que é o povo brasileiro. Nessas
circunstâncias, o PCB e sua pré-candidatura elencaram cinco grandes
transformações, que vamos desenvolver ao longo desta conversa. Consideramos
essas transformações fundamentais para construir uma pátria próspera,
democrática e soberana.
Também é importante
destacar que essas propostas têm viabilidade, pois o Brasil está maduro para o
socialismo. E por que está maduro? Porque todas as revoluções do século XX
foram realizadas em países agrários. A Revolução Soviética ocorreu em um país
agrário. A Revolução Chinesa, em um país agrário. A Revolução Vietnamita e a
Revolução Cubana também.
No Brasil, as
condições são extremamente favoráveis. Isso porque o país é industrializado,
possui abundância de recursos, grande disponibilidade de água, uma ampla força
de trabalho jovem e todas as matérias-primas necessárias para um processo de
desenvolvimento — inclusive cerca de 21% das terras raras, pelas quais o
imperialismo demonstra grande interesse atualmente.
Portanto, o
socialismo no Brasil, ao contrário das experiências do século XX — que partiram
de um patamar atrasado das forças produtivas —, partiria de um nível
objetivamente superior, em um país industrializado e com plenas condições de
desenvolvimento. Assim, as propostas que apresentamos buscam encaminhar esse
processo de transição rumo ao poder popular e ao socialismo.
Breno Altman:
Antigamente se dizia que, se a pobreza levasse ao socialismo, a Índia já teria
feito a revolução. Mas também poderíamos dizer que, se condições econômicas
maduras levassem ao socialismo, quem seria socialista seriam os Estados Unidos.
O que falta, portanto, se as condições estão maduras no Brasil para que o
socialismo possa se tornar uma perspectiva concreta na política do nosso país?
Edmilson Costa: Antes
de tudo, é importante acrescentar um pouco mais sobre as condições objetivas
que temos. Possuímos o segundo maior proletariado do continente. São cerca de
37 milhões de trabalhadores diretamente ligados à produção de valor e mais de
53 milhões nas áreas de serviços, comércio, etc. Portanto, essa base objetiva
precisa ser trabalhada no sentido de transformarmos essas condições objetivas
em condições subjetivas de organização.
Evidentemente, isso
não é algo que cai do céu, que acontece de uma noite para o dia. Mas, se você
tem essa base real, fica muito mais fácil desenvolver as condições subjetivas
do que se não a tivesse. Também precisamos considerar que estamos na periferia
do capitalismo, nos chamados elos débeis, onde as contradições são maiores e,
portanto, mais favoráveis para avançar na construção dessas condições
subjetivas.
Breno Altman: Qual é
a estratégia que o PCB propõe para chegar ao socialismo e qual o papel que uma
pré-campanha como a sua, dentro das regras da democracia liberal, poderia
cumprir?
Continue lendo
Edmilson Costa: Nós
não acreditamos que seja possível chegar ao socialismo por meio das eleições.
As eleições são um momento muito importante para a disputa política. Por quê?
Porque é exatamente nesse período que toda a população passa a discutir
política, a se envolver com seus problemas cotidianos. Portanto, a eleição
cumpre um papel pedagógico: contribui para a conscientização da população, de
modo que, no médio prazo, possamos criar as condições necessárias. Essas
condições só se concretizarão com um proletariado organizado e mobilizado nos
locais de trabalho e de moradia, além de uma juventude firme, consciente da
necessidade de mudanças no país.
No processo
brasileiro, a construção do socialismo se dará com a entrada em movimento das
grandes massas. A revolução brasileira será uma revolução de massas. Não será
feita por pequenos grupos heroicos, nem será um processo sem estratégia para a
tomada do poder. Desse ponto de vista, entendemos que o processo revolucionário
brasileiro, conduzido pelas grandes massas, deve envolver especialmente o campo
popular. E esse campo é majoritário no Brasil, pois o proletariado urbano, o
proletariado rural e a juventude compõem a maioria da população. À medida que
essa maioria compreenda a necessidade das transformações e se coloque em
movimento, teremos as condições para realizar o processo revolucionário
brasileiro.
Breno Altman: Deixa
eu entender melhor. Massas em movimento, essa parte eu entendi. Mas são massas
em movimento derrubando um governo, como no caso clássico da Revolução Russa,
ou massas em movimento defendendo um governo, como se imaginou no Chile de
Salvador Allende ou na Venezuela de Hugo Chávez e Nicolás Maduro?
Edmilson Costa: Isso
depende das condições objetivas. Se, por exemplo, o Partido Comunista
Brasileiro ganhar as eleições, faremos as mudanças estruturais com as massas
nas ruas. Sabemos que teremos uma minoria no Congresso, mas isso não significa
ser minoria na sociedade. O sistema eleitoral brasileiro tem uma característica
cruel: transforma maiorias sociais em minorias políticas, em minorias
parlamentares. Nossa proposta é inverter essa lógica. Ao vencer as eleições,
devemos impulsionar um processo político de incorporação das massas às
mobilizações sociais.
É importante destacar
que a mobilização das massas é o fator decisivo para alterar a correlação de
forças. Por exemplo, quem imaginava que, de uma hora para outra, a Câmara dos
Deputados aprovaria determinadas medidas e que, diante de milhões de pessoas
nas ruas, o Senado recuaria? Da mesma forma, recentemente, no caso de medidas
que afetavam povos indígenas, a mobilização popular levou à revogação de
decisões governamentais.
Breno Altman: A
concessão privada das hidrovias amazônicas.
Edmilson Costa:
Exatamente. Então, do nosso ponto de vista, um governo, para conseguir realizar
transformações em um país da periferia — onde o imperialismo tem um peso
econômico e social muito grande —, só pode fazê-las se contar com as massas
mobilizadas. Temos um exemplo que não é exatamente de uma revolução, mas que
mostra que a mobilização popular consegue produzir mudanças. O próprio Gustavo
Petro, por exemplo, tinha minoria, mas conseguiu colocar as massas nas ruas
sempre que havia uma disputa política e, com isso, avançou em aspectos que, por
exemplo, o nosso governo não conseguiu.
Breno Altman: Pelo
exemplo que você dá do Gustavo Petro, presidente colombiano, eu te faço uma
pergunta: na estratégia revolucionária do PCB, é fundamental eleger um governo
popular?
Edmilson Costa: Não.
Se conseguíssemos eleger um governo popular, seria muito importante, mas isso
não é o fundamental. O fundamental é colocar as massas em movimento, de forma
que possam impulsionar o processo de transformação. Isso pode ocorrer tanto com
um governo do PCB quanto com um governo que não seja do PCB, porque não está
dado que um processo revolucionário precise ser conduzido por um governo de um
partido de esquerda. Na maioria das vezes, ocorreu exatamente o contrário: o
processo revolucionário se deu contra governos da burguesia.
Breno Altman: Mas,
como você disse, na maioria dos casos isso ocorreu em países agrários e bem
mais atrasados que o Brasil, não é? Não é mais fácil mobilizar as massas, como
o PCB propõe, se houver um governo popular?
Edmilson Costa:
Evidentemente, é muito mais fácil. Vamos imaginar que eu vença as eleições: só
esse fato já cria uma nova correlação de forças, um novo ânimo nas massas e uma
nova perspectiva. Isso se torna um elemento fundamental para colocar as massas
em movimento e realizar transformações sociais. Mas é importante lembrar: a
burguesia nunca entregará de mão beijada seu poder econômico e político. Mesmo
com um governo popular e com as massas nas ruas, em algum momento ela poderá
recorrer ao imperialismo ou tentar um golpe de Estado. E nós devemos estar
preparados para enfrentar qualquer iniciativa nesse sentido, na tentativa de
barrar o processo revolucionário.
Breno Altman:
Edmilson, são vários os grupos e partidos que compõem aquilo que muitos chamam
de campo da esquerda radical, ou seja, forças à esquerda do PT. Por que essas
forças não conseguem construir uma candidatura única à presidência da
República? Por que aparecem tantas candidaturas nesse campo?
Edmilson Costa:
Primeiro, porque quase todas essas forças, em função da crise brasileira, estão
em processo de autoconstrução. Esse processo envolve disputas e diferenças
políticas. O PCB, por exemplo, tem divergências com grande parte dessas forças.
São estratégias distintas, o que dificulta a construção de uma pré-candidatura
unificada, já que ninguém quer abrir mão de seu projeto.
Além disso, o sistema
eleitoral em dois turnos tem um papel importante: permite que todas as forças
se apresentem à sociedade com seus programas e projetos. A sociedade ouve essas
propostas e faz sua escolha. Esse modelo tem a vantagem de permitir esse debate
mais amplo. No segundo turno, então, se discute o que é mais importante para o
país.
Breno Altman: Há quem
argumente que uma candidatura do PCB — ou de qualquer outro partido de esquerda
— poderia fragmentar o campo popular, progressista ou de esquerda, e
eventualmente atrapalhar a reeleição do presidente Lula, favorecendo uma
vitória da extrema direita. As pesquisas mostram uma polarização apertada entre
Lula e Flávio Bolsonaro, o que não exclui a possibilidade de vitória de
qualquer um deles já no primeiro turno. Como você responde a essa crítica de
que sua pré-candidatura poderia ajudar a extrema direita?
Edmilson Costa: Pelo
contrário, essa é uma leitura equivocada. A pré-candidatura do PCB é uma
pré-candidatura comunista. Muitas pessoas do centro dizem que Lula é comunista,
mas isso não corresponde à realidade. O único comunista nessa eleição seria o
candidato do PCB. Portanto, nossa candidatura, quando entrarmos no período de
campanha, tende a disputar votos em diversos segmentos, inclusive entre
eleitores influenciados pela extrema direita.
Além de qualificar o
debate político, nossa pré-candidatura busca enfrentar diretamente as forças
conservadoras. Nesse sentido, ela também pode se tornar um elemento adicional
no campo da esquerda para disputar votos com candidaturas conservadoras e com a
própria extrema direita, que hoje está profundamente alinhada aos interesses do
imperialismo no Brasil.
Breno Altman: Você
diz que a extrema direita é um dos principais inimigos. Quem seriam os outros?
Edmilson Costa: Olha,
temos toda a burguesia brasileira, que se estrutura, do ponto de vista
parlamentar, no chamado Centrão. Esse também é um inimigo do povo brasileiro,
porque é esse grupo que legisla contra os trabalhadores, que aprova leis
prejudiciais à classe trabalhadora. Como inimigos dos trabalhadores, eles
precisam ser derrotados. Portanto, não é apenas a extrema direita, mas também
esses representantes da burguesia que vêm se mantendo no poder desde os tempos
coloniais.
Breno Altman: O PT e
o presidente Lula são aliados ou inimigos?
Edmilson Costa: Na
luta concreta do dia a dia, quando o PT estiver junto das lutas sociais e das massas,
faremos unidade de ação. Quando estiver implementando medidas como o arcabouço
fiscal e outras políticas que favorecem o grande capital, estaremos contra.
Temos uma independência política e orgânica muito clara em relação ao governo
atual. Mas minha pré-candidatura não é contra alguém em particular; é contra o
sistema capitalista.
Breno Altman: Mas
vocês se consideram oposição ao governo Lula? Aliados críticos? Como vocês se
situam em relação ao governo?
Edmilson Costa: Nós
somos independentes em relação ao governo Lula. Se o governo toma medidas
positivas, ótimo. Se adota medidas contra os trabalhadores, nós criticamos.
Preservamos de forma muito firme nossa independência política e orgânica.
Breno Altman: Qual é
a avaliação que você faz do governo Lula neste terceiro mandato? Você já
comentou algo na primeira resposta, mas gostaria que detalhasse melhor como o
PCB o caracteriza. Você considera que é um governo neoliberal?
Edmilson Costa: Eu
avalio que o governo Lula não cumpriu as promessas feitas à população
brasileira. Prometeu colocar os ricos no Imposto de Renda e os pobres no
orçamento, e isso não ocorreu. O governo mantém o tripé macroeconômico
neoliberal — ajuste fiscal, câmbio flutuante e metas de inflação. Além disso,
adota o arcabouço fiscal. Essas são medidas contrárias aos trabalhadores, pois
favorecem diretamente o grande capital.
Nesse sentido, somos
contrários a essas políticas. Entendemos que o governo teria condições de
realizar as reformas que prometeu, como revogar a reforma trabalhista e rever a
reforma previdenciária, mas não o fez. E a justificativa apresentada é a falta
de correlação de forças. Se eu encontrasse o Lula, diria: “Você se lembra de
1978, 1979, 1980? Vivíamos uma ditadura, em que a correlação de forças era
totalmente desfavorável aos trabalhadores. Ainda assim, os trabalhadores
organizados e mobilizados tiveram um papel fundamental na derrota da ditadura.”
Portanto, a
correlação de forças é algo que se constrói. Se você permanece passivo, não
constrói nada. É preciso colocar as massas em movimento para transformar essa
correlação.
Breno Altman: Naquela
época, não era o PCB que dizia ao Lula que ele precisava tomar cuidado com a
correlação de forças em 1979?
Edmilson Costa: Não,
pelo contrário. Veja bem, naquele período dirigíamos um conjunto de sindicatos
que também protagonizavam grandes greves. Dirigimos o Sindicato dos
Metalúrgicos de Santos, com Arnaldo Gonçalves, além de outros sindicatos…
Breno Altman:
Edmilson, Arnaldo Gonçalves foi contra a greve geral de 21 de julho de 1984.
Edmilson Costa: Aí já
é outra questão. Você está se referindo à década de 1980. E o que foi a década
de 1980? Foi o período mais difícil que o nosso partido viveu. E por quê?
Porque aquele antigo Comitê Central tinha uma leitura da realidade
completamente dissociada do que estava acontecendo no país. Era uma direção
que, por ter vivido muito tempo no exílio, não compreendia as transformações da
sociedade brasileira.
O partido foi muito
acertado no VI Congresso, realizado em 1967, quando se definiu a estratégia de
mobilização da frente democrática. E foi isso que permitiu acumular forças para
chegarmos às greves de São Bernardo. No entanto, quando essas greves ocorreram,
a correlação de forças mudou, assim como a conjuntura. E um partido revolucionário
precisa estar sempre atento a isso: quando a conjuntura muda, é necessário
ajustar a tática.
O que aconteceu com o
antigo Comitê Central? Ele não mudou a tática. Manteve as mesmas alianças e
palavras de ordem do período da Frente Democrática. Com isso, o partido sofreu
grandes prejuízos e praticamente ficou à margem da luta social.
Breno Altman: Quer
dizer, houve um momento em que o PCB estava à direita do Lula e do PT.
Edmilson Costa:
Exatamente. Houve um período assim. Veja como a história é cheia de ironias.
Breno Altman:
Edmilson, em um eventual segundo turno entre Lula e a extrema direita, como o
PCB se posicionaria?
Edmilson Costa: Ainda
não discutimos essa questão. O segundo turno é uma outra eleição. Mas,
evidentemente, votaríamos para derrotar a extrema direita.
Breno Altman: E,
claro, você pediria o voto do Lula caso estivesse no segundo turno.
Edmilson Costa: Sim.
Breno Altman: Pediria
que Lula votasse em você contra a extrema direita.
Edmilson Costa: Eu
pediria que Lula votasse em Edmilson Costa no segundo turno.
Breno Altman:
Edmilson, quero fazer uma pergunta que desperta curiosidade em muita gente. O
PCB passou recentemente por uma crise interna que levou ao afastamento — ou
expulsão — de militantes que depois criaram o PCBR. Um dos nomes mais
conhecidos é Jones Manoel. Que balanço você faz desse processo? Isso não
provocou um afastamento da juventude que vinha ingressando no PCB no século
XXI?
Edmilson Costa: O que
ocorreu foi, essencialmente, uma disputa política sem fundamento. Alegava-se
que o PCB estava fazendo um giro à direita, que teria se tornado um “puxadinho”
do PSOL e que apoiava o governo Lula. Mas o que vemos hoje? O próprio Jones
Manoel sendo candidato pelo PSOL.
Qualquer pessoa com o
mínimo de compreensão política pode perceber que o PCB não fez esse suposto
giro à direita, não se tornou um apêndice do PSOL e tampouco apoiou
indiscriminadamente o governo Lula. Portanto, tratou-se de uma dissidência
construída sobre premissas frágeis e inverídicas.
Atualmente, esse
grupo se expressa muito mais no ambiente virtual do que na luta concreta. Basta
observar sua atuação prática. Evidentemente, o partido perdeu militantes,
especialmente na juventude — em estados como São Paulo, Pernambuco e Rio Grande
do Sul.
Por outro lado, não
houve perdas significativas na área sindical nem na militância operária, que
permaneceu praticamente intacta. Já esse novo agrupamento concentrou-se em
organizar a juventude que atraiu, mas, na nossa avaliação, isso não constitui
uma base sólida de construção partidária.
A pessoa a que você
se referiu cresceu politicamente a partir de todo o trabalho que o partido
realizou, passou a se considerar maior que o próprio partido e acreditou que
poderia dirigi-lo. Mas o partido não funciona dessa maneira, e isso não deu
certo. Quando isso acontece, o conflito se expressa como disputa política. Além
disso, ele violou normas do centralismo democrático, o que levou ao seu
afastamento.
(Continua na Parte 2)
EM TEMPO:
1 - A maioria da população brasileira, bem como do mundo inteiro, é de Direita, a qual oscila entre a Extrema Direita e a Centro Direita. A Esquerda é pequena e a Centro Esquerda é um pouco maior. Quem elege o presidente Lula é a Centro Direita. Ou seja, é uma Direita mais flexível, não carregada de ódio e maioria no momento atual. Conquistar a Centro Direita, a qual é a fiel da balança é uma tarefa que atualmente, somente o presidente Lula é capaz de fazer, por ser um autêntico estadista, sabe dialogar com as massas populares e é pop star nacional e internacional. É um líder mundial;
2 - Quem poderá mover Lula mais para à Esquerda são as massas populares devidamente mobilizadas e que sejam capazes de eleger um Congresso cuja maioria seja de Centro Esquerda. Sem um Congresso minimamente Progressista é inteiramente impossível avançarmos até o patamar desejado;
3 - A análise conjuntural ora em tela realizada pelo camarada Edmilson é muito importante, uma vez que ajuda na politização das massas populares. Mas, a conjuntura nacional e internacional é desfavorável. Melhor seria que o PCB apresentasse seus candidatos para os governos estaduais, apoiando, desde já, a reeleição do presidente Lula e, evidentemente, apresentando as devidas reivindicações;
4 - No governo Lula é preciso que se tenha um Fórum permanente de ouvidoria das reivindicações populares, além de discussão de propostas mais abrangentes onde seja corrigido a ingerência excessiva do Congresso Nacional nos destinos do país. Afinal o Congresso funciona como se fosse um semiparlamentarismo sem responsabilidade dos congressistas. Além da regalia que os congressistas têm para manusearem o orçamento da união. Afinal, um congressista que destina verba em excesso para os seus redutos eleitorais, provoca uma grande anomalia no processo democrático.
OK, MOÇADA!

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