Corpo de Gisele Alves Santana foi exumado, e laudo necroscópico apontou que havia lesões no rosto e no pescoço da mulher. Segundo peritos, há sinais de que ela desmaiou antes de ser baleada na cabeça e que não apresentou defesa. Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, é investigado pelo crime.
Por Redação g1
SP e TV Globo, — São Paulo
17/03/2026
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| Laudo mostra que PM morta em São Paulo tinha ferimentos no rosto e no pescoço |
A Polícia Civil de São Paulo pediu nesta terça-feira (17) à Justiça que seja decretada a prisão do tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, marido da policial militar Gisele Alves Santana, morta com um tiro na cabeça, no mês passado.
Até a última
atualização desta reportagem, o Poder Judiciário não havia se pronunciado sobre
o pedido.
A decisão das
autoridades aconteceu após a Polícia Técnico-Científica anexar ao processo
laudos relacionados ao caso.
Os documentos
confirmaram que Gisele não estava grávida e também não foi dopada, mas que havia
mais manchas de sangue da soldado espalhadas por outros cômodos do apartamento
onde ela morreu.
Apesar da
conclusão do laudo toxicológico, que não indicou o consumo de drogas ou bebidas
por Gisele, e da liberação de outros exames — que somam cerca de 70 páginas —,
a delegacia aguarda ainda mais resultados complementares do Instituto Médico
Legal (IML) e do Instituto de Criminalística (IC) para concluir o inquérito.
Eles devem esclarecer a dinâmica do disparo ocorrido há quase um mês.
O caso ocorreu
na manhã do dia 18 de fevereiro e está sendo investigado pela polícia como
morte suspeita. O pedido de prisão foi feito com o aval do Ministério Público
de São Paulo (MP-SP).
O corpo da
vítima foi exumado, e o laudo necroscópico apontou que havia
lesões no rosto e no pescoço da mulher.
Segundo peritos, há sinais de que ela desmaiou antes de
ser baleada na cabeça e que não apresentou
defesa.
O documento
obtido com exclusividade pela TV
Globo diz que
essas lesões eram "contundentes" e feitas "por meio de pressão
digital e escoriação compatível com estigma ungueal" (arranhões que
indicam marcas de unhas).
A PM, de 32
anos, foi encontrada morta no apartamento onde morava com o marido, o
tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de
53 anos, no Brás, região central de São Paulo. Ele estava no local e foi quem
acionou o socorro. A defesa dele ainda não se pronunciou sobre o resultado do
laudo.
O caso foi
registrado inicialmente como suicídio, mas passou a ser investigado como morte
suspeita após a família dela contestar essa versão. O corpo da PM foi, então,
exumado e passou por novos exames no sábado (7) no Instituto Médico-Legal (IML)
Central da capital, incluindo uma tomografia.
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| Caso da PM morta em São Paulo. — Foto: Fantástico |
Horário da morte
Alguns pontos
chamam a atenção dos investigadores sobre a morte. Um deles é o horário da
morte. Uma vizinha do casal afirmou à polícia que acordou às 7h28 depois de ouvir um estampido único e forte
vindo do apartamento.
Isso aconteceu cerca de meia hora antes da primeira
ligação feita pelo marido da vítima ao serviço de emergência. Na chamada para a
PM, registrada às 7h57,
ele disse que a esposa havia se matado.
“Minha esposa é
policial feminina. Ela se matou com um tiro na cabeça. Manda o resgate e uma
viatura aqui agora, por favor”, afirmou Neto na ligação.
Minutos depois,
às 8h05, ele ligou para o Corpo de
Bombeiros e disse que a mulher ainda estava respirando. As equipes chegaram ao
local às 8h13.
Posição da arma
Outro
questionamento é sobre o disparo. Um dos socorristas relatou que a arma parecia estar "bem
encaixada" na mão da mulher,
de uma forma que nunca havia visto em casos de suicídio. Por achar a cena
incomum, decidiu fotografá-la.
O profissional
também afirmou que o sangue já estava coagulado quando a equipe chegou ao
apartamento e que não havia cartucho de bala no local.
Socorrista
diz que desconfiou da forma em que arma estava encaixada na mão de PM
encontrada baleada
Banho
No mesmo
inquérito da Polícia Civil, depoimentos de socorristas que atenderam a
ocorrência levantam questionamentos sobre a versão apresentada pelo marido da
vítima.
Em depoimento, o oficial afirmou que estava no
banho no momento em que ouviu o disparo, mas os primeiros bombeiros que
chegaram ao local disseram que ele estava seco e que não havia marcas de água
no chão do apartamento.
O
tenente-coronel disse que entrou no banheiro para tomar banho por volta das 7h
e, cerca de um minuto depois, ouviu um barulho que pensou ser de uma porta
batendo. Ao sair do banheiro, afirmou ter encontrado Gisele caída na sala.
Um sargento do
Corpo de Bombeiros com 15 anos de experiência relatou que, ao chegar ao
apartamento, encontrou Geraldo de bermuda, sem camisa e inteiramente seco.
O declarante afirma que não havia
nenhum tipo de pegada molhada que indicasse que o tenente-coronel teria saído
imediatamente durante o banho, inclusive ele estava seco
— registrou o
socorrista em depoimento.
Ele também
afirmou que o chuveiro do banheiro do corredor estava ligado, mas não havia
poças de água no chão ou no corredor.
A observação foi
reforçada por um tenente da PM cuja equipe foi a primeira a chegar ao local dos
fatos. Ele apontou que nem Geraldo nem Gisele aparentavam estar molhados ou
terem tomado banho antes do disparo.
Conduta e falta de desespero
Outro ponto que
chamou a atenção da equipe de resgate foi o estado emocional do marido. O sargento
do Corpo de Bombeiros afirmou que não viu nenhum tipo de desespero por parte do
tenente-coronel nem o viu chorando.
Um segundo
bombeiro também estranhou a conduta do marido porque ele "falava
calmamente" ao telefone, questionava a todo momento o atendimento prestado
pelos bombeiros e insistia que a vítima fosse retirada com pressa e levada
imediatamente ao hospital.
Os socorristas também observaram que o oficial não
apresentava nenhuma marca de sangue no corpo ou nas vestimentas, o que
indicaria que ele não teria tentado prestar os primeiros socorros à esposa.
Ligação para desembargador
Entre os
contatos feitos por Geraldo na manhã da ocorrência, um deles chamou a atenção
da família da policial: a ligação para o desembargador Marco Antônio Pinheiro
Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
Ele chegou ao
prédio às 9h07 e subiu para o
apartamento com o tenente-coronel. O advogado da família, José Miguel da Silva
Junior, questiona a presença do magistrado no local.
“Ele vai ter que explicar por que estava lá. Pelo
relato que temos, o desembargador foi a primeira pessoa acionada após o
disparo.”
·
9h18: o desembargador reaparece
no corredor.
·
9h29: Após 11 minutos, o
tenente-coronel surge com outra roupa.
Entrada e saída de policiais
do apartamento
Uma câmera de
segurança registrou a entrada e a saída de três policiais no apartamento onde
Gisele morreu. Segundo uma testemunha, as agentes foram ao local cerca de 10 horas após a ocorrência para fazer
a limpeza do imóvel.
Ainda de acordo
com a testemunha, as agentes chegaram ao prédio às 17h48 de 18 de fevereiro, o mesmo dia
da morte,
e entraram no local acompanhadas por uma funcionária do edifício.
As imagens
mostram que elas permaneceram por aproximadamente 50 minutos e não saíram com
objetos. As policiais serão ouvidas na investigação.
O que dizem as defesas
Em nota
divulgada antes do laudo feito após a exumação, a defesa do tenente-coronel
Geraldo Neto afirma que ele não é investigado, suspeito ou indiciado no
processo até o momento.
Segundo os
advogados, o oficial tem colaborado com as autoridades desde o início e
permanece à disposição para ajudar na elucidação dos fatos.
Já a defesa do
desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan informou que ele foi chamado
ao apartamento como amigo do tenente-coronel e que eventuais esclarecimentos
serão prestados à polícia judiciária.
O caso,
inicialmente registrado como suicídio, segue sob investigação da Polícia Civil
e da Corregedoria da Polícia Militar.
EM TEMPO: As mulheres devem ser mais criteriosas nas escolhas dos seus "amores", assim como a população deve ser na escolha dos políticos.


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