Jiang Xueqin afirma que estratégia iraniana pode enfraquecer o petrodólar e acelerar a transição para um mundo multipolar
Jiang Xueqin explica a derrota dos Estados Unidos
no Irã (Foto: Reprodução Youtube)
247 – O educador e
escritor Jiang Xueqin,
analista geopolítico chinês radicado em Pequim, afirmou que os Estados Unidos
podem acabar derrotados em uma guerra contra o Irã e que o desfecho de um
conflito desse tipo teria potencial para transformar profundamente a ordem
internacional. As declarações foram feitas em entrevista publicada no YouTube,
no vídeo “Professor Jiang Predicts: US WILL LOSE Iran War”.
Jiang Xueqin dirige o canal Predictive History, no qual aplica conceitos de teoria dos jogos, análise estrutural e a ideia de “psico-história” inspirada no escritor Isaac Asimov para interpretar tendências históricas e antecipar desdobramentos geopolíticos. Em suas análises, ele costuma abordar temas como as relações entre Estados Unidos e Irã, a ascensão e queda de potências e conflitos contemporâneos, enfatizando principalmente as dinâmicas de poder entre Estados.
As previsões feitas em 2024
Na entrevista, o analista recorda
que, ainda em 2024, apresentou três previsões sobre a conjuntura global
envolvendo os Estados Unidos e o Oriente Médio. Em um trecho reproduzido
durante o programa, ele afirmou: “Neste semestre, estou fazendo três
grandes previsões. A primeira é que Trump vai vencer em novembro. A segunda é
que os Estados Unidos vão entrar em guerra contra o Irã. E a terceira grande
previsão é que os Estados Unidos vão perder essa guerra, o que vai mudar para
sempre a ordem global.”
Questionado se mantém essa avaliação,
Jiang respondeu que sim. Segundo ele, a evolução do conflito indicaria uma
dinâmica de guerra de atrito,
na qual o Irã possuiria vantagens estratégicas.
“Dada a minha análise de como a
guerra está progredindo, acho que o Irã tem muitas mais vantagens sobre os
Estados Unidos. A realidade é que agora é uma guerra de atrito entre os Estados
Unidos e o Irã.”
Ele também afirmou que o Irã teria se preparado por décadas para um confronto dessa natureza. “Os iranianos vêm se preparando há 20 anos para esse conflito. Para eles, dentro da visão religiosa e estratégica, trata-se de uma guerra contra o grande Satã.”
Estratégia iraniana mira economia global
Segundo Jiang Xueqin, a estratégia
iraniana não estaria focada apenas no confronto militar direto, mas na pressão
sobre a infraestrutura econômica e energética do Golfo Pérsico, região central
para o sistema financeiro global.
“Os iranianos não estão apenas
travando uma guerra contra os Estados Unidos. Eles estão travando uma guerra
contra toda a economia global.”
De acordo com ele, alvos estratégicos
incluem bases militares, instalações energéticas e estruturas vitais para
países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), como Arábia Saudita, Emirados
Árabes Unidos, Catar e Bahrein.
Um dos pontos mencionados na
entrevista foi a vulnerabilidade das usinas de dessalinização, essenciais para o abastecimento de água
na região. “As plantas de dessalinização fornecem cerca de 60% do
abastecimento de água dos países do Golfo. Se uma instalação dessas fosse
destruída em uma grande cidade como Riad, uma metrópole de cerca de 10 milhões
de habitantes, a população poderia ficar sem água em poucas semanas.”
Ele também destacou a dependência da região de rotas marítimas para alimentos e energia, mencionando a importância estratégica do estreito de Hormuz.
O papel do petrodólar e da economia global
Outro elemento central da análise do
pesquisador é o papel do petrodólar no
sistema financeiro internacional. Segundo ele, os países do Golfo são
fundamentais para a economia dos Estados Unidos porque reciclam receitas do
petróleo em investimentos financeiros nos mercados norte-americanos.
“Os países do Golfo são o ponto de
apoio da economia americana. Eles vendem petróleo em dólares e depois reciclam
esses petrodólares investindo novamente na economia dos Estados Unidos.”
Ele argumenta que parte significativa
dos investimentos recentes em infraestrutura tecnológica e centros de dados
ligados à inteligência artificial nos Estados Unidos tem origem em capitais da
região.
“Se os países do Golfo não puderem mais vender petróleo ou financiar esses investimentos, a bolha de inteligência artificial nos Estados Unidos pode estourar e isso afetaria profundamente a economia americana.”
Assimetria militar e custos da guerra
Jiang também argumenta que o conflito
revela uma assimetria crescente
nos custos militares, com sistemas de defesa extremamente caros sendo
utilizados contra armas relativamente baratas.
“Estamos vendo mísseis que custam
milhões de dólares sendo usados para interceptar drones que custam apenas
dezenas de milhares. Isso não é sustentável no longo prazo.”
Na avaliação do analista, essa dinâmica
pode enfraquecer a percepção de invulnerabilidade militar dos Estados Unidos
construída após o fim da Guerra Fria.
“O que estamos vendo é o enfraquecimento da aura de invencibilidade que sustentou a hegemonia americana nas últimas décadas.”
Possibilidade de escalada e tropas terrestres
Durante a entrevista, Jiang também
comentou a possibilidade de uma escalada militar envolvendo tropas terrestres
dos Estados Unidos no Irã. Segundo ele, historicamente operações de mudança de
regime raramente ocorreram apenas com ataques aéreos.
“Nunca houve um caso em que uma
mudança de regime tenha sido obtida apenas com bombardeios. Normalmente isso
exige tropas em terra.”
Ao mesmo tempo, ele destacou que a opinião pública norte-americana tende a rejeitar uma escalada desse tipo.
Transição para um mundo multipolar
Ao final da análise, Jiang Xueqin
sustenta que um conflito prolongado entre Estados Unidos e Irã poderia acelerar
mudanças estruturais na ordem internacional.
“Isso pode sinalizar o colapso do
sistema baseado no petrodólar e da hegemonia global dos Estados Unidos. Estamos
caminhando para um mundo multipolar.”
Para o analista, o resultado final do conflito terá
impacto não apenas no Oriente Médio, mas também na arquitetura econômica e
geopolítica global nas próximas décadas.
EM TEMPO: O analista geopolítico brasileiro Pepe Escobar diz algo semelhante conforme texto abaixo.

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