Estima-se que até 9 milhões de pessoas tenham ido às ruas contra a destruição da democracia, a guerra contra o Irã e a estupidez da extrema-direita
28 de março de 2026
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| Protestos contra Trump levaram milhões às ruas (Foto: Reuters) |
247 – Milhões de
pessoas tomaram as ruas dos Estados Unidos e de diversos países neste sábado
(28) em uma das maiores jornadas de protesto da história recente contra o
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Sob o lema “No Kings” (“Sem
reis”), as manifestações denunciaram o avanço autoritário da Casa Branca, a
escalada militar contra o Irã, a repressão a imigrantes e o ambiente de
deterioração democrática impulsionado pela extrema-direita. As informações são
da CBS News e da Associated Press. Estima-se que os protestos tenham reunido 9
milhões em vários estados.
Os atos ocorreram nos 50 estados norte-americanos, com mais de 3.100 eventos registrados, além de mobilizações em mais de uma dezena de países. Organizadores estimaram que até 9 milhões de pessoas participaram das manifestações, evidenciando a amplitude da rejeição ao trumpismo e às suas políticas consideradas agressivas e antidemocráticas.
Minnesota se torna símbolo da resistência
O principal foco dos protestos foi
St. Paul, em Minnesota, estado que se tornou um centro de resistência após a
morte de Renee Good e Alex Pretti, atingidos por agentes federais durante ações
ligadas à política migratória do governo Trump. O episódio desencadeou revolta
popular e mobilizações contínuas.
Milhares de pessoas ocuparam o
entorno do Capitólio estadual, formando uma multidão que se estendia por ruas e
áreas públicas. Muitos manifestantes carregavam bandeiras dos Estados Unidos
invertidas, um símbolo histórico de alerta e angústia nacional.
O músico Bruce Springsteen foi a
principal atração do ato e apresentou a canção “Streets of Minneapolis”,
composta em resposta às mortes. Antes da apresentação, ele afirmou: "A
força de vocês e o compromisso de vocês nos mostraram que isto ainda é a
América" e acrescentou: "E este pesadelo
reacionário, e essas invasões de cidades americanas, não vão prevalecer."
O evento também contou com a presença de Joan Baez, Jane Fonda e do senador Bernie Sanders, além de ativistas e lideranças políticas. Segundo os organizadores, mais de 200 mil pessoas participaram do ato em St. Paul, superando os números da Marcha das Mulheres de 2017.
Protestos se espalham por todo o país
As manifestações ocorreram em grandes
cidades como Nova York, Chicago, Filadélfia e Washington, mas também em
pequenas localidades de estados conservadores, demonstrando que a oposição ao
governo Trump se espalha por diferentes regiões do país.
Em Filadélfia, milhares de pessoas
ocuparam o centro da cidade e interromperam o trânsito. Em Chicago,
organizações civis lideraram grandes atos. Em San Diego, cerca de 40 mil
pessoas participaram de uma marcha, segundo autoridades locais.
Na capital Washington, manifestantes caminharam do Lincoln Memorial até o National Mall com cartazes como “Abaixe a coroa, palhaço” e “A mudança de regime começa em casa”, entoando palavras de ordem contra o autoritarismo.
Críticas à política de Trump e reação oficial
Entre as principais reivindicações
estavam o fim da guerra no Irã, a reversão de políticas migratórias
consideradas agressivas e a defesa de direitos civis, incluindo os da população
transgênero.
A diretora executiva da New York
Civil Liberties Union, Donna Lieberman, afirmou durante coletiva: "Eles
querem que tenhamos medo, que acreditemos que não há nada que possamos fazer
para detê-los" e completou: "Mas sabem de uma coisa?
Eles estão errados — completamente errados."
A Casa Branca reagiu minimizando os protestos. A porta-voz Abigail Jackson declarou: "As únicas pessoas que se importam com essas sessões de terapia contra Trump são os repórteres pagos para cobri-las."
Ironia e criatividade contra o autoritarismo
Os atos também foram marcados por
ações criativas. Em Washington, um grupo fantasiado de insetos usava coletes
com a sigla “LICE”, em referência ao ICE (Serviço de Imigração e Alfândega), em
tom de sátira.
O participante Bill Jarcho
explicou: "O que oferecemos é zombaria ao rei" e
acrescentou: "Trata-se de pegar o autoritarismo e ridicularizá-lo,
algo que eles detestam."
Segundo os organizadores, dois terços dos participantes vieram de regiões fora dos grandes centros urbanos, incluindo estados tradicionalmente conservadores, o que indica uma ampliação da base de oposição ao governo Trump.
Mobilização global contra Trump e a guerra
Os protestos também ocorreram em
diversos países. Em Roma, milhares marcharam contra políticas conservadoras e
em defesa da democracia. Em Paris, centenas de pessoas — incluindo norte-americanos
residentes na França — se reuniram na Bastilha.
A organizadora Ada Shen
declarou: "Eu protesto contra todas as guerras intermináveis de
Trump, ilegais, imorais, imprudentes e irresponsáveis."
Em Londres, manifestantes exibiram cartazes como “Parem a extrema-direita” e “Levantem-se contra o racismo”, associando a guerra no Irã ao avanço de forças ultrarreacionárias.
Um movimento de massa contra a extrema-direita
A dimensão dos protestos revela um
cenário de forte contestação ao governo Trump. Para milhões de pessoas, suas
políticas representam uma ameaça direta à democracia, aos direitos civis e à
estabilidade global.
A mobilização “No Kings” se consolida, assim, como
um dos maiores movimentos de contestação popular da atualidade, reunindo
multidões contra a guerra, o autoritarismo e o avanço da extrema-direita nos
Estados Unidos e no mundo.

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