Fala aconteceu em uma reunião de emergência do Conselho de Direitos Humanos da ONU nesta sexta (27). Ataque a escola foi cometido por erro militar, segundo mídia dos EUA.
Por Redação g1
27/03/2026
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Uma
mãe iraniana que perdeu dois filhos no bombardeio que atingiu a escola em
Minab, no sul do Irã, no primeiro dia de ataques conjuntos de Estados Unidos e
Israel.
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Mohaddeseh
Fallahat cobrou justiça e relembrou a última frase que ouviu das crianças antes
da tragédia: “Venha nos buscar depois da escola”.
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A
fala foi feita em uma reunião de emergência no Conselho de Direitos Humanos da
ONU nesta sexta-feira (27).
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O
ataque deixou cerca de 175 mortos, entre crianças e professores, e é alvo de
disputa de versões entre Irã e Estados Unidos.
· Fallahat fez um depoimento emocionado e descreveu o vazio deixado pela morte dos filhos, Amin e Mehdi.
Mãe
iraniana pede justiça para ataque de EUA e Israel que matou mais de 150
crianças. — Foto: Reprodução/ONU
Uma mãe iraniana
que perdeu dois filhos no bombardeio que atingiu a escola em Minab, no sul
do Irã,
no primeiro dia de ataques conjuntos de Estados
Unidos e Israel. Mohaddeseh Fallahat cobrou justiça e relembrou a última frase que
ouviu das crianças antes da tragédia: “Venha nos buscar depois da escola”.
A fala foi feita
em uma reunião de emergência no Conselho de Direitos Humanos da ONU nesta
sexta-feira (27). O ataque deixou cerca de 175 mortos, entre
crianças e professores, e é alvo de disputa de versões entre Irã e Estados
Unidos.
"Aquela manhã foi como qualquer outro dia. Era
normal para mim arrumar os sapatos deles na porta, pentear seus cabelos e
colocar as mochilas em seus ombros. Não havia sinal de que seria a última
vez", declarou Fallahat.
Fallahat fez um
depoimento emocionado e descreveu o vazio deixado pela morte dos filhos, Amin e
Mehdi. Ao saírem de casa, os filhos disseram apenas que ela fosse buscá-los
depois da aula — frase que, segundo ela, se repete “mil vezes” em sua mente.
“Hoje, ao passar pelo quarto deles, sinto vontade
de abrir a porta e vê-los como sempre. Mas o quarto está silencioso. Muito mais
silencioso do que uma casa deveria ser”, afirmou.
A mulher disse
que ainda guarda roupas compradas para o Ano Novo e cadernos que ficaram
inacabados. Para ela, os filhos tiveram sonhos interrompidos de forma abrupta.
“Não sou apenas uma mãe enlutada. Sou a voz de
todas as mães que enviaram seus filhos à escola acreditando na segurança”,
declarou.
A mulher pediu
que a tragédia não seja esquecida e que os responsáveis sejam punidos. “Não por vingança, mas por justiça”,
disse.
Entenda o contexto:
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Na reunião, o
ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, acusou os Estados
Unidos e Israel de cometer genocídio durante a guerra e pediu que a ONU condene
os dois países pelo ataque à escola. A sessão em Genebra teve como tema central
o ataque à escola.
"Esse ataque brutal [a Minab] é apenas a ponta
visível de um iceberg muito maior, que esconde tragédias ainda mais graves,
incluindo a normalização das mais horríveis violações de direitos humanos e do
direito internacional humanitário. (...) O padrão de alvos dos agressores,
juntamente com sua retórica, deixa pouca dúvida de que sua intenção clara é
cometer genocídio", afirmou Araqchi.
O chanceler
iraniano disse que as vítimas do ataque foram "massacrados de forma
completamente intencional e brutal", em um crime de guerra e contra a
humanidade. O bombardeio foi feito por engano
pelo Exército dos EUA, segundo análises da mídia norte-americana.
Uma investigação militar também
indicou em caráter preliminar que as forças dos EUA teriam responsabilidade no
ocorrido.
Veja abaixo
outras coisas que Araqchi falou ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em
sessão nesta sexta:
·
acusou EUA e Israel de destruírem ou danificarem mais de 600 escolas
durante a guerra, o que resultou em mais de 1.000 alunos e professores mortos
ou feridos;
·
voltou a criticar os EUA por iniciarem a guerra durante negociações
nucleares entre os dois países;
· criticou ameaças de ataques a infraestruturas vitais —feitas pelos EUA
nos últimos dias— e disse que instalações dessa natureza e também civis já
sofreram ataques durante a guerra;
·
disse que o Irã nunca buscou a guerra e continuará se defendendo pelo
tempo que for preciso.
Os Estados Unidos
não tiveram um orador na sessão do conselho para se defender das acusações de
Araqchi. Oficialmente,
o governo Trump acusa o Irã pelo ataque à escola em Minab e diz que não tem
civis como alvo. Mesmo com as tentativas de se
desvencilhar, o incidente jogou pressão sobre o governo Trump.
Na sessão, o
chefe de Direitos Humanos da ONU, Volker Türk, pediu que os EUA concluam sua
investigação sobre o ataque à escola em Minab e que publiquem os resultados.
“Altos funcionários dos EUA disseram que o ataque
está sob investigação. Peço que esse processo seja concluído o mais rápido
possível e que suas conclusões sejam tornadas públicas. Deve haver justiça pelo
terrível dano causado”, disse Türk.
O representante
do Brasil no Conselho de Direitos Humanos da ONU, o ministro André Simas
Magalhães, afirmou que o país condena fortemente o ataque. "Este ato é
grave violação dos direitos humanos e da lei internacional humanitária. Estamos
presenciando uma sistemática violação da carta da ONU. Isso parece ter virado
uma constante em guerras pelo mundo", disse.

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