Rfi - Patricia Moribe
© AP - Eraldo Peres
A edição online do
conservador Le Figaro traz um perfil inclemente de Jair Bolsonaro nesta
sexta-feira (12). “Diante da pandemia, o presidente ataca governadores e
prefeitos que aplicam a quarentena e não para de ameaçar opositores”, diz no
início do texto, assinado pelo jornalista Jean-Marc Gonin.
É mais um artigo para tentar explicar aos franceses quem é essa figura
que governa um dos países que já esteve na dianteira dos emergentes, mas que
agora detém números galopantes no ranking em relação à “hecatombe” da
Covid-19. São mais de mil
mortos de “gripezinha” por dia, ironiza o artigo, referindo-se ao termo usado
pelo brasileiro.
“Esses números
desastrosos não desanimam Jair Bolsonaro, que incitou a população a enfrentar a
doença como ‘homem, pô, não como moleque’”, diz Le Figaro. A seguir, a matéria
cita os tropeços do governo central, ao impor a cloroquina como panaceia,
contrariando o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que aliás foi
substituído diante da desobediência. Seu sucessor, Nelson Teich, não durou um
mês. A pasta agora está a cargo de um ex-general sem qualquer qualificação para
o posto, explica o jornal.
O texto segue enumerando ideias de Trump adotadas por Bolsonaro, que
desaprova a máscara, a quarentena e vai de encontro a multidões sem
proteção. Ele faz pugilismo
verbal com governadores que ousam desacatá-lo, acusando-os de estarem
destruindo o Brasil com a quarentena.
Le Figaro lembra
que a economia brasileira está à beira do colapso. Após a violenta recessão de
2015-2016, seguiu-se um pálido crescimento até 2019, de cerca de 1% ao ano.
Esperava-se que a taxa de crescimento alcançasse 2% em 2020. Mas a pandemia fez
naufragar essa esperança, “afundando muitos brasileiros no medo do amanhã”.
Fora Bolsonaro!
A luta contra a
corrupção é a grande derrota de Bolsonaro, estima Le Figaro. Ele bateu o PT nas
eleições, adotou o juiz “incorruptível” Sérgio Moro como ministro da Justiça,
que depois pediu demissão do cargo, humilhado pelas intervenções superiores. O
jornal fala ainda sobre o embaraçoso vídeo em que Bolsonaro, “com sua
vulgaridade habitual”, insulta o magistrado.
O "Júlio Cesar
carioca", como é chamado pelo diário francês, vê os casos contra si aumentarem
na Justiça, como a questão das fakenews. Mais de 30 pedidos de impeachment já
foram recebidos pelo Congresso. Mas Bolsonaro não se deixa intimidar, lembrando
que o governo tem o povo e os militares a seu lado.

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