Veja.com - Sofia Cerqueira
© Facebook/VEJA. Fachada do Hospital Ronaldo Gazolla, localizado no
Rio de Janeiro (RJ)
A invasão de cinco
pessoas ao Hospital Municipal
Ronaldo Gazolla, referência para o tratamento para a Covid-19 no Rio de Janeiro, nesta
sexta-feira 12, pôs a categoria de saúde em alerta. O presidente do Sindicato
dos Médicos do Rio, Alex Telles, chama a atenção para a gravidade do caso e diz
acreditar que o episódio tenha sido estimulado pela fala do presidente Jair Bolsonaro no
dia anterior. Pelas redes sociais, Bolsonaro havia pedido a apoiadores que
“arranjem” um jeito de entrar em hospitais públicos ou de campanha que atendam
pacientes com coronavírus e filmem o seu interior. A intenção, explicava, era
mostrar a dimensão real da epidemia. Novamente, o presidente levantou suspeitas
de que os dados relativos ao novo vírus estariam sendo manipulados para atingir
seu governo.
Logo após o
incidente ocorrido no hospital carioca, o presidente do sindicato esteve na unidade
e conversou com vários plantonistas que presenciaram a ação na área restrita de
risco biológico 3 (grande risco de contágio, transmissão por suspensão no ar).
“É muita coincidência que no dia seguinte ao presidente ter incitado as pessoas
a invadirem os hospitais tenhamos tido um problema destes”, ressalta o médico
clínico Alex Telles, que também dá plantão no Ronaldo Gazolla. “Essas pessoas
que entraram na área restrita e de forma agressiva puseram em risco médicos,
enfermeiros, internos e elas próprias”, completa.
O tumulto no
hospital de referência para a Covid-19 no Rio, que fica em Acari, na Zona Norte
da cidade, segundo os relatos dos profissionais que estavam no local no
momento, foi provocado por cinco pessoas de uma mesma família que acabara de
saber do falecimento de um parente. Uma senhora, de 56 anos, que havia sido
transferida há dois dias para aquela unidade, teve uma piora repentina do caso
e morreu com suspeita de coronavírus. Os familiares, revoltados com a notícia,
dada no setor de informações no primeiro andar do prédio, invadiram às
instalações e foram até o quinto andar, onde entraram na ala B, reservada aos
pacientes da nova doença. Exaltados, chutaram portas, derrubaram computadores e
tentaram invadir outras áreas restritas.
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Por vários
momentos, os invasores, segundo relatos de profissionais, xingaram funcionários
e gritavam “mentira, mentira”, assustando funcionários e pacientes. Ontem o
hospital tinha cerca de 130 pacientes com a Covid-19 internados na área de
clínica médica e 106 na Unidade de Terapia Intensiva (CTI). Os familiares da
senhora que acabara de falecer foram contidos com a chegada da Guarda
Municipal.
No dia anterior,
quinta-feira 11, o presidente Bolsonaro havia levantado suspeitas sobre
manipulação de dados e dito: “Seria bom você fazer… na ponta da linha, se tem
um hospital de campanha perto de você, se tem um hospital público… arranja uma
maneira de entrar e filmar. Muita gente tem feito isso, mas mais gente tem que
fazer pra mostrar se os leitos estão ocupados ou não. Se os gastos são
compatíveis ou não. Isso ajuda. Tudo o que chega para mim nas redes sociais a
gente faz um filtro e eu encaminho para a Polícia Federal ou Abin (Agência
Brasileira de Inteligência)”.
A Secretaria
municipal de Saúde divulgou uma nota sobre o problema ocorrido na unidade de
referência para atendimento aos casos de coronavírus.
O que ocorreu foi
um tumulto causado por cinco pessoas de uma mesma família que, desesperadas ao
receberem a notícia da morte de uma parente internada no local – uma senhora de
56 anos – entraram alteradas na unidade, quebraram uma placa de sinalização e bateram
uma porta, causando danos. Vigilantes, guardas municipais de uma viatura que
fica baseada no hospital e integrantes da equipe assistencial ajudaram a
contornar a situação. Uma das pessoas da família, uma mulher, precisou ser
medicada para se acalmar.
EM TEMPO: Já pensou se fosse os ex-presidentes Lula ou Dilma, que fizessem isso no exercício dos seus mandatos. Logo, seriam taxados de "terroristas" e seriam presos pelas força de repressão da burguesia. Mas, como é Bolsonaro, "atual peixe" das Forças Armadas, fica por isso mesmo e ainda ficam com raiva caso o STF tome alguma providência para impedir as provocações do Presidente, as quais estão só se agravando. Agora durmam com essa bronca

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