domingo, 17 de fevereiro de 2019

“Impeachment branco” tem de isolar Bolsonaro, fazendo-o laranja do próprio governo; tarefa é dos generais; esplanada precisa de uma faxina


Por: Reinaldo Azevedo
Publicada: 16/02/2019 - 7:47


“Se quiser fechar o governo Bolsonaro, você sabe o que faz? Você não manda nem um jipe. Manda um capitão reformado e seu filho malcriado”. Quem tem de ser isolado e tutelado não é Carlos, o filho, mas Jair, o pai. A tal “velha política”, expressão frequentemente empregada por vigaristas e cretinos, e os militares terão de se juntar para neutralizar o presidente da República (foto), num esforço de salvar o seu mandato.

Para quem não se lembra, parafraseio, no primeiro parágrafo, o filho Zero Três, Eduardo, que afirmou, em palestra concedida em julho do ano passado, que um soldado e um cabo constituiriam força suficiente para fechar o Supremo.

A família não tem muito apreço pelas instituições, como restou provado, mais uma vez, nesse episódio envolvendo Gustavo Bebianno, que está sendo chutado com todas as desonras.

É claro que não há como Bebianno continuar. Se fica, corre o risco de não lhe servirem nem mesmo um café no Palácio do Planalto. Não há dúvida de que o PSL, sob o seu comando, fez lambança com a verba do Fundo Eleitoral, que é dinheiro público. Mas é preciso que um presidente da República seja estupidamente irresponsável para dar ao problema a dimensão de uma crise política.
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Digam-me cá: alguém está surpreso? Eis o Bolsonaro de sempre. O político que endossou e ajudou a propagar a mensagem em que o filho Carlos, o Zero Dois, chamava Bebianno de mentiroso é aquele que disse a uma deputada que não a estupraria porque, feia a seu juízo, ela não seria merecedora de tal distinção. Ou que estimou em arrobas o peso de um quilombola, que não serviria nem mais para a reprodução. Ou que exaltou um grupo de matadores na Bahia, convidando-o a atuar no Rio, sua base eleitoral. Ou que elogiou o trabalho das milícias — em parceria, em tão nobre propósito, com Flávio, o Zero Um. Ou que afirmou que o erro da ditadura “foi torturar e não matar”. Ou que recomendou aos pais que dessem “um coro” no filho ainda criança se notassem alguma evidência de homossexualidade.

Vamos ser claros? Quando deputado, sempre foi um arruaceiro do baixo clero, dando voz aos propósitos mais asquerosos. E sua pauta foi herdada pela descendência. Ah, sim: ele não parece ter sido do tipo que deu coro em suas crias. Ele as adula até hoje, em especial quando fazem besteira. Não é preciso muito esforço para perceber que os Bolsonaros consideram a Presidência da República uma empreitada familiar. Sabem como é… Não é todo dia que um clã tão preparado se apresenta com vocação para a causa pública. Os EUA tiveram os Kennedys. As nossas elites se apaixonaram pelos Bolsonaros…

Pergunto de novo: alguém está surpreso? Em maio do ano passado, o então pré-candidato à Presidência gravou um vídeo em apoio à greve dos caminhoneiros, como se vê no blog do Reinaldo Azevedo, com aquela gramática muito peculiar.



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