domingo, 30 de agosto de 2026

“Trump percebeu que Lula pode vencer”, diz Leonardo Trevisan

 Na visão de Leonardo Trevisan, a conduta do Itamaraty foi determinante para equilibrar o tabuleiro

Conteúdo postado por: Redação Brasil 247.

Crédito: Brasil 247



 

 


247 – O longo telefonema de cerca de uma hora e meia entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reflete uma mudança significativa na postura da Casa Branca em relação ao Brasil. Em entrevista concedida ao jornalista Florestan Fernandes Jr. na TV 247, o professor de Relações Internacionais Leonardo Trevisan avaliou que a disposição de Washington para o diálogo direto e desprovido de arroubos retóricos decorre tanto da pressão de grandes corporações norte-americanas quanto do pragmatismo eleitoral de Trump, que reconhece a força política e a competitividade de Lula no cenário nacional.

Para Trevisan, o gesto de Trump foi calibrado pelo peso de cerca de 6 mil empresas norte-americanas de médio e grande porte que possuem cadeias produtivas consolidadas no mercado brasileiro. A reação imediata de gigantes globais — como Coca-Cola, Tesla e eBay — contra as tarifas impostas pelo governo norte-americano demonstrou que o setor produtivo dos EUA não deseja ver seus interesses sacrificados por movimentações meramente ideológicas.

A disputa geopolítica e o avanço da China

De acordo com o analista, outro fator decisivo para a abertura das conversas em alto nível é o avanço estratégico dos investimentos chineses no Brasil, especialmente em setores de ponta como energia limpa, mobilidade elétrica e minerais críticos, incluindo terras raras.

“A diplomacia empresarial fez de alguma forma Trump perceber que havia uma disputa de espaço no futuro imediato do Brasil. Se os Estados Unidos deixassem para negociar tardiamente, encontrariam esse espaço ocupado por competidores que falam mandarim”, destacou o professor durante o programa.

Trevisan ressaltou o papel de interlocutores pragmáticos, como Richard Grenell — que anteriormente manteve reuniões com o vice-presidente Geraldo Alckmin —, em contraponto à ala mais beligerante e ideológica associada ao senador Marco Rubio. Segundo o especialista, o isolamento da ala radical representa uma derrota política interna para os setores que tentavam subordinar a política externa à agenda do bolsonarismo.

Firmeza diplomática do Itamaraty

Na visão de Leonardo Trevisan, a conduta do Itamaraty foi determinante para equilibrar o tabuleiro. Ao sinalizar prontidão para responder com medidas de retaliação e manter a firmeza institucional sem provocações, a diplomacia brasileira forçou o governo norte-americano a sentar à mesa em condições de respeito mútuo e soberania.

Durante a conversa com Florestan Fernandes Jr., o professor pontuou que os argumentos que motivaram o “tarifaço” careciam de fundamentação fática e que a clareza da resposta do governo brasileiro desarmou a narrativa de tutela externa. O episódio consolida uma vitória diplomática e política expressiva para o Palácio do Planalto, demonstrando capacidade de negociação e preservação da autonomia nacional no cenário global.

A íntegra da análise e os bastidores das negociações bilaterais podem ser assistidos no corte da entrevista com o Professor Leonardo Trevisan na TV 247.

https://www.youtube.com/watch?v=XQaOO1reJVk&t=9s

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