Na visão de Leonardo Trevisan, a conduta do Itamaraty foi determinante para equilibrar o tabuleiro
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247 – O longo
telefonema de cerca de uma hora e meia entre o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reflete uma mudança
significativa na postura da Casa Branca em relação ao Brasil. Em entrevista
concedida ao jornalista Florestan Fernandes Jr. na TV 247, o professor de Relações
Internacionais Leonardo Trevisan avaliou que a disposição de Washington para o
diálogo direto e desprovido de arroubos retóricos decorre tanto da pressão de
grandes corporações norte-americanas quanto do pragmatismo eleitoral de Trump,
que reconhece a força política e a competitividade de Lula no cenário nacional.
Para Trevisan, o
gesto de Trump foi calibrado pelo peso de cerca de 6 mil empresas
norte-americanas de médio e grande porte que possuem cadeias produtivas
consolidadas no mercado brasileiro. A reação imediata de gigantes globais —
como Coca-Cola, Tesla e eBay — contra as tarifas impostas pelo governo
norte-americano demonstrou que o setor produtivo dos EUA não deseja ver seus
interesses sacrificados por movimentações meramente ideológicas.
A disputa geopolítica e o avanço da
China
De acordo com o
analista, outro fator decisivo para a abertura das conversas em alto nível é o
avanço estratégico dos investimentos chineses no Brasil, especialmente em
setores de ponta como energia limpa, mobilidade elétrica e minerais críticos,
incluindo terras raras.
“A diplomacia empresarial fez de
alguma forma Trump perceber que havia uma disputa de espaço no futuro imediato
do Brasil. Se os Estados Unidos deixassem para negociar tardiamente,
encontrariam esse espaço ocupado por competidores que falam mandarim”, destacou
o professor durante o programa.
Trevisan ressaltou
o papel de interlocutores pragmáticos, como Richard Grenell — que anteriormente
manteve reuniões com o vice-presidente Geraldo Alckmin —, em contraponto à ala
mais beligerante e ideológica associada ao senador Marco Rubio. Segundo o
especialista, o isolamento da ala radical representa uma derrota política
interna para os setores que tentavam subordinar a política externa à agenda do
bolsonarismo.
Firmeza diplomática do Itamaraty
Na visão de
Leonardo Trevisan, a conduta do Itamaraty foi determinante para equilibrar o
tabuleiro. Ao sinalizar prontidão para responder com medidas de retaliação e
manter a firmeza institucional sem provocações, a diplomacia brasileira forçou
o governo norte-americano a sentar à mesa em condições de respeito mútuo e
soberania.
Durante a conversa
com Florestan Fernandes Jr., o professor pontuou que os argumentos que
motivaram o “tarifaço” careciam de fundamentação fática e que a clareza da
resposta do governo brasileiro desarmou a narrativa de tutela externa. O
episódio consolida uma vitória diplomática e política expressiva para o Palácio
do Planalto, demonstrando capacidade de negociação e preservação da autonomia
nacional no cenário global.
A íntegra da análise e os bastidores das negociações
bilaterais podem ser assistidos no corte da entrevista com o Professor Leonardo Trevisan na
TV 247.

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