quarta-feira, 26 de agosto de 2026

É infantil dizer “eu estava certo”, mas Lula fez muito bem em não comparecer ao debate

 A entrevista foi curta no tempo, mas extraordinária na variedade e na profundidade dos temas

Por Leonardo Attuch

Leonardo Attuch é jornalista e escritor.



Luiz Inácio Lula da Silva. Crédito: Ricardo Stuckert

É infantil dizer “eu estava certo”, mas a noite deste domingo, 23.08.2026,  comprovou de forma inequívoca o acerto da decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não comparecer ao debate na Band. Quando defendi neste espaço que o presidente não deveria se prestar a um formato falido, desenhado para a provocação rasteira e o espetáculo grotesco, alguns setores da imprensa tradicional insistiram na tese de que a ausência soaria como fuga. A realidade dos fatos e a frieza dos números desmoralizaram esse discurso.

O que se viu na Band não foi um confronto programático de projetos de país, mas uma arena degradada de agressões pessoais e baixarias encenadas. Sem a presença de seu principal adversário — que também compreendeu a inutilidade do evento —, o estúdio foi entregue a figuras marginais do processo político. A cena grotesca de um candidato do MBL exibindo fraldas geriátricas resumiu a indigência do espetáculo: a política reduzida ao pior tipo de “lacração” de internet, sem conteúdo, sem propostas e sem qualquer compromisso com os destinos do Brasil.

Enquanto a Band amargava uma audiência residual de pouco mais de 2 pontos na Grande São Paulo com um debate inteiramente esvaziado, Lula ocupava o centro da atenção nacional na Record. Em apenas 20 minutos de conversa com a jornalista Mariana Godoy, o presidente ofereceu uma aula de comunicação pública e densidade programática.

A entrevista foi curta no tempo, mas extraordinária na variedade e na profundidade dos temas. Em vez de bate-boca estéril, o país ouviu o chefe de Estado falar sobre:

·         Soberania e geopolítica: Lula expôs os detalhes de sua conversa de 1h20 com Donald Trump, demarcando limites claros contra tarifas abusivas e exigindo a industrialização local de minerais críticos e terras raras, superando o modelo colonial de mera exportação primária.

·         Segurança pública: O presidente explicou com clareza a necessidade da PEC da Segurança e a criação de um ministério dedicado para integrar inteligência e asfixiar financeiramente o crime organizado, devolvendo os territórios às populações das periferias.

·         Compromisso social e trabalho: O anúncio articulado com o Congresso sobre o fim da cobrança de importação de pequenas compras populares — a “taxa das blusinhas” — somou-se à defesa enfática do fim da escala 6×1, colocando a qualidade de vida do trabalhador no topo da pauta.

·         Economia real: Com dados concretos, Lula mandou um recado direto à Faria Lima, demonstrando o controle fiscal de seu governo, a queda expressiva da inflação de alimentos frente ao mandato anterior e a necessidade urgente de levar educação financeira às escolas.

·         Postura republicana: Questionado sobre notícias e apurações, reafirmou com firmeza que ninguém está acima da lei e que órgãos de controle devem agir com plena autonomia, assegurando o direito de defesa.

A audiência recompensou a relevância: a Record alcançou mais que o dobro da Band no horário, explodindo em repercussão imediata nas redes sociais.

O contraste foi pedagógico. De um lado, a política rebaixada à pantomima e ao insulto barato para tentar gerar cortes vazios no celular. Do outro, um estadista abordando os problemas reais da população, prestando contas de sua gestão e projetando o desenvolvimento soberano do país. Lula fez exatamente o que um presidente da República deve fazer: recusou o circo e dialogou diretamente com o povo brasileiro.

Assista o vídeo relativo a entrevista de Lula a TV RECORD no domingo 23.08.2026

https://www.youtube.com/watch?v=2Stuq4xzxkQ&t=15s

EM TEMPO: Há alguns anos atrás, o perfil de alguns  candidatos a Presidente, era, digamos, "Padrão FIFA" (rsrsrs), a saber: Ulisses Guimarães, Mário Covas, Lula, Leonel Brizola, FHC, Dilma, Orestes Quércia, Plínio de Arruda Sampaio, dentre outros. Hoje, é baixo nível e incompetência que impera.   OK, Moçada!

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