Moscou cobra condenação internacional após mortes em dormitório estudantil
25 de maio de 2026
Marco Fernandes e Serguei Monin, Brasil de Fato -
As equipes de resgate concluíram, no último sábado (23), as operações de busca
no local do bombardeio das Forças Armadas da Ucrânia em um dormitório
estudantil em Starobelsk, na região de Lugansk. De acordo com o serviço de
imprensa do Ministério para Situações de Emergência da Rússia, os corpos de 21
vítimas foram encontrados.
“As operações de busca em Starobilsk,
no local do desabamento do dormitório da Universidade Pedagógica de Luhansk,
foram concluídas. Todos os corpos das vítimas foram recuperados dos escombros.
Um total de 63 pessoas ficaram feridas, 21 das quais morreram”, diz o
comunicado.
Nesta segunda-feira (25), o porta-voz
do Kremlin, Dmitry Peskov, criticou os países do Ocidente por não condenarem o
ataque ucraniano no dormitório estudantil.
“Não vimos nenhuma ação que pudesse
ser percebida como uma condenação a este ataque terrorista bárbaro contra
jovens. Isso é tudo o que pode ser dito neste contexto”, disse Peskov.
Um ataque de drones ucranianos na
região de Lugansk, na madrugada da última sexta-feira (22), atingiu um
dormitório estudantil. Inicialmente, foi informado que seis crianças haviam
morrido, mas as autoridades locais informaram que ainda havia outras sob os
escombros. No sábado (23), as buscas foram concluídas e a região de Lugansk
declarou um luto oficial nos dias 24 e 25.
O território da autoproclamada
República Popular de Lugansk, localizado no leste ucraniano, foi anexado
formalmente pela Rússia em setembro de 2022, junto com as regiões de Donetsk,
Kherson e Zaporyzhye. No entanto, Moscou não possui pleno controle da região,
onde acontecem intensos combates na linha de frente do conflito.
Jornalistas
estrangeiros visitam local do ataque
Mais de 50 jornalistas estrangeiros
de 19 países viajaram para Starobelsk após o ataque das Forças Armadas da
Ucrânia. A reportagem do Brasil de Fato esteve presente na comitiva organizada
pelo Ministério das Relações Exteriores da Rússia.
Nesta segunda-feira (25), o porta-voz
da presidência russa, Dmitry Peskov, declarou que diversos veículos de
comunicação ocidentais decidiram não se deslocar a Starobelsk para observar o
local do ataque.
“Notamos que diversos veículos de
comunicação ocidentais decidiram não ir até lá sob vários pretextos. Isso não
favorece a imagem desses veículos; não agrega credibilidade às informações que
eles divulgam”, disse Peskov.
Ao receber os correspondentes
internacionais, o governador de Lugansk, Leonid Pasechnik, afirmou que “as
vidas das crianças são intocáveis, não há justificativa para atos como esse”.
“Primeira vez que tantos jovens são
assassinados […]. Ataques violentos dos fascistas como esse são inaceitáveis no
século 21, mas vamos encontrar os culpados e julgá-los segundo leis internacionais,
pois se trata de um crime de guerra. Os pais desses jovens não puderam entender
por que esses ataques aconteceram”, afirmou.
Já a alta comissária da Rússia para
os Direitos Humanos, Yana Lantrapova, acusou o governo ucraniano de mentir
sobre o bombardeio de drones lançado em Lugansk. Kiev havia afirmado que o
ataque teve como alvo instalações militares russas.
“Vocês podem ver a hipocrisia, as
mentiras. Vocês só veem os pertences das crianças, de civis; não há instalações
militares ou pessoal militar aí dentro, era só uma escola. Essas crianças
queriam se tornar professoras, engenheiras, programadoras; elas queriam ter um
futuro, elas eram criativas, mas sua vida foi encurtada”, afirmou.
No momento do ataque, 86 adolescentes
estavam no dormitório. Foi declarado estado de emergência na cidade. O
porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, descreveu o incidente como um
“crime monstruoso do regime de Kiev”, enquanto o presidente russo, Vladimir
Putin, classificou o bombardeio como um ataque terrorista e instruiu o
Ministério da Defesa a preparar propostas de resposta.
Retaliação russa
No domingo (24), as forças russas
atacaram a capital ucraniana, Kiev, com o míssil hipersônico “Oreshnik”. De
acordo com a Força Aérea Ucraniana, o ataque envolveu 600 drones e 90 mísseis,
dos quais 549 e 55 foram interceptados, respectivamente.
Ataques ocorreram próximos a prédios
de governo, escolas, universidade e prédios residenciais deixando quatro mortos
e 55 feridos.
O Ministério da Defesa russo, por sua vez, afirmou que
o ataque maciço com mísseis e drones, incluindo o míssil Oreshnik, teve como
alvo alvos militares. Moscou não comentou sobre os danos em Kiev e as vítimas
civis.

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