Ex-presidente destaca legado do almirante, que comandou a força naval entre 2007 e 2015 e esteve à frente de projetos estratégicos
11 de fevereiro de 2026
Julio Soares de Moura Neto e Dilma Rousseff (Foto:
Marinha do Brasil | Fernando Frazão/Agência Brasil)
247 - A ex-presidente do
Brasil e atual presidente do Banco dos Brics, Dilma Rousseff, lamentou nesta
quarta-feira (11) a morte do Almirante de Esquadra (Reserva) Julio Soares de
Moura Neto, ex-comandante da Marinha. Em publicação nas redes sociais, Dilma
ressaltou a trajetória do militar, que ocupou o comando da força durante seu
governo e teve atuação destacada em projetos considerados estratégicos para a
defesa nacional.
A homenagem foi divulgada após a
confirmação do falecimento do almirante, noticiado pela Agência Marinha de
Notícias, que também apresentou um balanço da carreira e das contribuições de
Moura Neto ao longo de mais de cinco décadas de serviço.
A“Recebo com grande pesar a notícia do falecimento do Almirante de Esquadra Julio Soares de Moura Neto, um dos principais líderes navais do país, referência para seus colegas e comandados por cinco décadas de uma carreira exemplar”, escreveu Dilma. A ex-presidente afirmou ainda que ele “conduziu alguns dos grandes avanços da força naval” e pautou sua atuação pela defesa da soberania nacional.
Entre os pontos destacados por Dilma,
estão a liderança no programa de desenvolvimento de submarinos, a participação
no projeto do primeiro submarino brasileiro de propulsão nuclear, a criação do
conceito da Amazônia Azul e a ampliação da presença de mulheres na Marinha.
“Moura Neto foi comandante da Marinha durante o meu governo e conduziu alguns
dos grandes avanços da força naval”, acrescentou.
Carreira de mais de
50 anos na Marinha
Nascido em 20 de março de 1943, no
Rio de Janeiro, Julio Soares de Moura Neto ingressou na Escola Naval e foi
declarado Guarda-Marinha em 15 de agosto de 1964. Ao longo da carreira, avançou
por todas as patentes até alcançar o posto de Almirante de Esquadra em 31 de
março de 2003.
Antes de assumir o comando máximo da
Marinha, ocupou cargos considerados centrais na estrutura naval brasileira.
Entre as funções exercidas como oficial-general, estiveram as de Secretário da
Comissão Interministerial para os Recursos do Mar; Comandante do 6º Distrito
Naval; Comandante da 1ª Divisão da Esquadra; Comandante do Centro de Instrução
Almirante Alexandrino; Diretor de Hidrografia e Navegação; Diretor-Geral do
Pessoal da Marinha; Diretor-Geral de Navegação; Comandante de Operações Navais;
e Chefe do Estado-Maior da Armada.
Comando da Marinha
e projetos estratégicos
Moura Neto assumiu o cargo de
Comandante da Marinha em 2007, permanecendo na função até 2015. O período foi
marcado por iniciativas voltadas ao fortalecimento institucional e estratégico
da força, com destaque para a consolidação do conceito de Amazônia Azul e projetos
ligados à proteção das riquezas marítimas do país.
Durante sua gestão, avançaram ações
como o Programa de Desenvolvimento de Submarinos, voltado à construção de
submarinos convencionais e ao desenvolvimento do submarino brasileiro de
propulsão nuclear. Também houve impulso ao Programa Nuclear da Marinha, além de
projetos para recuperação da capacidade operacional da Esquadra e a criação de
sistemas de monitoramento da Amazônia Azul.
O almirante também esteve associado
ao fortalecimento da presença brasileira em operações internacionais e à
ampliação da participação feminina na carreira naval. Outro ponto destacado foi
o reforço da capacidade expedicionária dos Fuzileiros Navais em missões de paz.
Atuação após deixar
o comando
Após deixar o Comando da Marinha,
Moura Neto manteve atuação voltada aos interesses marítimos nacionais. Como
Coordenador Executivo do Centro de Excelência para o Mar Brasileiro (Cembra),
liderou projetos para estimular a mentalidade marítima e o desenvolvimento
sustentável do mar brasileiro.
Entre as iniciativas citadas estão a
organização e divulgação da terceira edição do livro “O Brasil e o Mar
no Século XXI”, além da realização de webinários sobre temas estratégicos,
coordenação de projetos de ciência, tecnologia e inovação, concursos
educacionais e parcerias com universidades e instituições de pesquisa.
Ao longo da trajetória, o militar defendeu de forma
recorrente a centralidade do mar para o futuro do país. Em uma reflexão sobre o
tema, afirmou: “A nossa história sempre foi ligada ao mar. Nós fomos
descobertos pelo mar; fomos invadidos pelo mar por países que queriam os nossos
recursos; a nossa independência foi consolidada pelo mar. O Brasil possui
características geográficas, econômicas e ambientais que tornam inquestionável
a sua vocação marítima".
EM TEMPO: Convém lembrar que as Forças Armadas nunca foram tão prestigiadas como nos governos Lula, Dilma e Lula. Os militares de alta patente que foram na onda do militar indisciplinado, o tal do Bozo, estão respondendo processo, correndo risco de perderem suas credenciais militares.

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