Presidente é aplaudido ao afirmar que o canal é “administrado de forma eficiente, segura e não discriminatória há quase três décadas”
28 de janeiro de 2026
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| Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert/PR) |
247 - O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (28) que o
Brasil defende a neutralidade do Canal do Panamá como princípio estratégico
para a integração regional e o comércio internacional. A declaração foi feita
durante a sessão inaugural do Fórum Econômico Internacional da América Latina,
realizado na capital panamenha, em um momento marcado por tensões geopolíticas
e pela ofensiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em temas
ligados à política externa e ao comércio global.
Ao
discursar no evento, Lula contextualizou sua posição a partir da necessidade de
fortalecer a cooperação latino-americana diante de um cenário internacional
instável. As declarações foram feitas no Panamá, país que sediou, há 200 anos,
o Congresso que reuniu as jovens nações latino-americanas em busca de
consolidar sua independência e definir seu papel no mundo, marco histórico
citado pelo presidente ao longo de sua fala.
Lula
ressaltou que, embora daquele congresso tenham surgido ideias fundamentais
posteriormente incorporadas ao direito internacional e à Carta das Nações
Unidas — como a manutenção da paz, a solução pacífica de controvérsias, a
igualdade jurídica entre os Estados e a integridade territorial —, o legado
institucional foi insuficiente para consolidar mecanismos regionais eficazes.
Segundo o presidente, dois séculos depois, a América Latina enfrenta um dos
períodos de maior retrocesso em matéria de integração.
Nesse
contexto, Lula criticou a fragmentação política da região e o enfraquecimento
de iniciativas de cooperação. Ele mencionou o colapso da União de Nações
Sul-Americanas (Unasul), atribuindo o fracasso à intolerância política, e
afirmou que a região voltou a se orientar mais para interesses externos do que
para projetos próprios. O presidente alertou ainda para a influência de
disputas ideológicas alheias, o avanço do extremismo político e a manipulação
da informação, fatores que, segundo ele, esvaziaram cúpulas regionais e
paralisaram a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).
Ao
abordar o ambiente global, Lula afirmou que a ruptura da ordem liberal, o
ressurgimento do protecionismo e do unilateralismo tornaram insuficientes
antigos paradigmas de integração. Ele defendeu que a América Latina observe a
experiência da União Europeia como referência, sem ignorar diferenças
históricas, econômicas e culturais. Nesse ponto, citou a proximidade geográfica
com a “maior potência militar do mundo”, referência direta aos Estados Unidos,
ao mencionar o recrudescimento de “tentações hegemônicas” e a falta de
convicção regional em torno de um projeto mais autônomo de inserção
internacional.
O
presidente também destacou indicadores recentes da economia brasileira para
sustentar a defesa de um modelo baseado em democracia, multilateralismo e
integração regional. Lula afirmou que o país tem registrado estabilidade
política, social e econômica, atraído volumes recordes de capital estrangeiro e
ampliado o comércio internacional. Segundo ele, em 2025, a corrente de comércio
brasileira alcançou US$ 629 bilhões, resultado de uma estratégia de
diversificação de parcerias com economias tradicionais e emergentes.
Lula
afirmou ainda que, desde 2023, o Brasil cresce acima da média mundial, controla
a inflação e registra o menor desemprego de sua história. Ele citou a
valorização do salário mínimo, o aumento da renda dos trabalhadores, a saída do
país do Mapa da Fome da ONU e a inclusão social de 17,4 milhões de pessoas em
dois anos. O presidente também destacou o papel do Brasil na economia verde,
com uma matriz elétrica majoritariamente renovável, liderança em
biocombustíveis e projetos voltados à transição energética.
Ao tratar
da integração sul-americana, Lula destacou o avanço do programa brasileiro de
rotas de integração, com obras em rodovias, hidrovias, ferrovias, portos,
aeroportos, infovias e linhas de transmissão. Segundo ele, esse conjunto de
investimentos tem potencial para ampliar significativamente o comércio
intrarregional. Foi nesse contexto que o presidente afirmou: “Por isso o Brasil
defende a neutralidade do Canal do Panamá, administrado de forma eficiente,
segura e não discriminatória há quase três décadas”, declaração que foi
recebida com aplausos pelo público presente.
Lula
concluiu defendendo que uma integração regional duradoura exige a participação
de governos subnacionais, da sociedade civil e da iniciativa privada. Ele citou
sistemas de pagamentos digitais, como o Pix, e programas de integração entre
universidades e centros de pesquisa como instrumentos capazes de fortalecer
laços regionais baseados em inovação, conhecimento e pragmatismo.

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