Governo chinês reage a convite do presidente dos EUA para integrar Conselho da Paz de Gaza e reforça compromisso com o multilateralismo
21 de janeiro de 2026
Os presidentes dos EUA, Donald Trump, e da China,
Xi Jinping, durante reunião na Coreia do Sul - 30/09/2025 (Foto: REUTERS/Evelyn
Hockstein)
247 - A China declarou
nesta quarta-feira (21) que seguirá defendendo a ordem internacional baseada
nas Nações Unidas, após a confirmação de que recebeu um convite para integrar o
chamado Conselho da Paz, idealizado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald
Trump. As informações são do jornal O Globo.
A manifestação ocorre em meio a
questionamentos globais sobre a iniciativa americana e seus possíveis efeitos
sobre o sistema multilateral. A reação de Pequim acontece um dia após a Casa
Branca tornar público o convite feito ao governo chinês para participar do novo
órgão internacional proposto por Trump.
Reação chinesa ao plano dos EUA
Durante coletiva, o porta-voz do
Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, reiterou a posição
histórica do país. “Não importa como muda a situação internacional, a China
defende firmemente o sistema internacional com as Nações Unidas em seu centro,
uma ordem internacional baseada nos objetivos e princípios da Carta da ONU”,
afirmou.
Pequim confirmou ter recebido o
convite, mas não indicou se irá aceitá-lo. A China é membro permanente do
Conselho de Segurança da ONU e, embora defenda reformas na organização, mantém
apoio ao multilateralismo liderado pelas Nações Unidas.
Críticas de Trump
às Nações Unidas
Questionado por jornalistas na Casa
Branca sobre a possibilidade de o novo conselho substituir a ONU, Trump
respondeu: “Talvez sim”. Em seguida, criticou o desempenho do organismo
internacional. “A ONU simplesmente não tem sido muito útil. Eles deveriam ser
capazes de resolver essas guerras. Mas acredito que devemos permitir que a ONU
continue, porque o potencial é muito grande”, declarou o presidente dos Estados
Unidos. As declarações reforçaram preocupações de diplomatas e aliados
históricos de Washington, especialmente na Europa, sobre uma possível tentativa
de esvaziamento do papel da ONU.
Conselho da Paz e o
futuro de Gaza
O Conselho da Paz foi inicialmente
concebido para supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza no pós-guerra,
mas, segundo informações da AFP, sua carta constitutiva não limita a atuação ao
território palestino. O plano integra a segunda fase do acordo de cessar-fogo
proposto pelos Estados Unidos, que prevê a desmilitarização do Hamas, criação
de uma governança tecnocrática e reconstrução da região. O conselho será
presidido pelo próprio Trump e prevê mandatos de três anos para seus membros.
Para adesão permanente, os países deverão contribuir com até US$ 1 bilhão.
Resistência
europeia e posições divergentes
Diplomatas europeus expressaram
preocupação com a proposta. Um representante ouvido pela Reuters afirmou que o
conselho equivale a uma “Nações Unidas de Trump”, por ignorar fundamentos da
Carta da ONU. A França e a Noruega anunciaram que não participarão da
iniciativa. A presidente da Assembleia Geral da ONU, Annalena Baerbock, alertou
para os riscos de enfraquecer o sistema multilateral. “E se questionarmos isso,
recuamos para tempos muito, muito, muito sombrios”, disse à Sky News.
Impactos globais e
crise humanitária em Gaza
Apesar das adesões anunciadas por
diversos países, o futuro de Gaza segue incerto. O Hamas ainda controla parte
significativa do território e se recusa a se desarmar. A ONU alertou que a
crise humanitária está longe de terminar, com cerca de 80% das edificações
destruídas ou danificadas.
Na madrugada desta quarta-feira, ataques
israelenses mataram ao menos 11 palestinos, incluindo crianças, segundo o Ministério
da Saúde de Gaza. A organização internacional também destacou que famílias
sobreviventes enfrentam escassez de alimentos, abrigo e condições mínimas de
sobrevivência durante o inverno.
EM TEMPO: A ONU deve ser melhorada, fortalecida e respeitada, nunca esvaziada. O que deveria ser criado seria um Conselho de Paz para reconstrução de Gaza e reconhecimento do Estado Palestino. Mas, os ataques bélicos de Israel não cessam, apesar da repulsa da comunidade internacional. Portanto, a proposta de Trump é uma armadilha que o governo brasileiro, bem como os demais países não devem cair.

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