Pesquisa Datafolha
mostra que 74% se identificam como petistas ou bolsonaristas, enquanto 57% se
declaram de direita ou esquerda — com vantagem da direita
24 de dezembro de 2025
Brasil segue polarizado, mas com paradoxos: Lula
supera Bolsonaro, mas direita supera esquerda (Foto: Ricardo Stuckert | Reuters
)
Redação Brasil 247
247 – O Brasil segue
mergulhado em um ambiente de forte polarização política, mas os números revelam
um quadro cheio de paradoxos. Segundo a mais recente pesquisa Datafolha,
publicada em reportagem da Folha de S.
Paulo, 74% dos
brasileiros se identificam com algum dos dois principais polos políticos do
país — o campo ligado ao presidente Lula e o grupo associado a Jair Bolsonaro.
Nesse recorte, os petistas
voltaram a ser maioria: 40%, contra 34% de bolsonaristas.
O levantamento foi realizado
entre 2 e 4 de dezembro,
com 2.002 entrevistas em 113
municípios, ouvindo eleitores com 16 anos ou mais. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou
para menos. Além dos dois grupos polarizados, 18% se declararam neutros, 6% disseram não apoiar nenhum dos dois, e 1% não soube responder.
Petistas voltam à
dianteira após um período de empate técnico
Na rodada anterior, realizada no fim
de julho, o cenário era de empate
técnico: 39% se diziam mais próximos do partido de Lula e 37% alinhados
a Bolsonaro. Agora, embora a variação também ocorra dentro da margem de
erro, a distância deixou de
configurar empate, e o
grupo petista retoma a liderança numérica.
O Datafolha usa, desde dezembro de
2022, uma escala para medir essa identificação:
“considerando uma escala de 1 a 5, onde
1 é bolsonarista e 5 petista, em qual número você se encaixa?”
Quem responde 1 ou 2 é
classificado como bolsonarista; quem marca 4 ou 5 entra no grupo petista; e os que respondem 3 são considerados neutros.
Segundo a própria série histórica
citada na reportagem, os
apoiadores de Lula foram maioria em 9 dos 11 levantamentos realizados desde então,
o que reforça a estabilidade estrutural desse campo dentro da polarização.
A pesquisa foi
feita após a prisão e condenação de Bolsonaro
A reportagem da Folha destaca
que o levantamento ocorreu em um momento politicamente decisivo: após a prisão e condenação de Jair Bolsonaro
por tentativa de golpe de Estado. O ex-presidente, ainda conforme o
texto, já havia sido colocado em prisão domiciliar por descumprir medidas
cautelares e, antes da condenação, chegou a ser preso preventivamente em
Brasília após tentar violar a tornozeleira eletrônica.
Enquanto isso, o presidente Lula
aparece em posição confortável no horizonte eleitoral. A pesquisa, segundo a
reportagem, aponta que Lula lidera
as intenções de voto para a eleição de 2026 tanto no primeiro quanto no segundo
turno.
Quem é mais petista
e quem é mais bolsonarista
Os dados revelam que a polarização
não é homogênea: ela se distribui com nitidez por gênero, renda, religião,
escolaridade e região.
De acordo com o Datafolha, o petismo é mais concentrado:
·
Entre mulheres (42%)
·
Entre aposentados (45%)
·
Entre quem
tem até o ensino fundamental (52%)
·
Na
região Nordeste (49%)
·
Entre católicos (48%).
Já o
bolsonarismo prevalece:
·
Entre homens (37%)
·
Entre empresários (41%)
·
Entre quem
ganha de cinco a dez salários
mínimos (42%)
·
Na
região Sul (41%)
·
Entre evangélicos (47%)
Polarização cresce
com a idade: 84% entre eleitores acima de 60 anos
A polarização também se intensifica
entre os mais velhos. Entre pessoas com 60 anos ou mais, 84%
se encaixam como petistas ou bolsonaristas, sendo 46% mais próximos de Lula e 38% inclinados a Bolsonaro. Esse dado
indica que, para essa faixa etária, a disputa entre os dois líderes segue
estruturando a forma como se percebe a política nacional.
O paradoxo central:
direita supera esquerda, apesar da vantagem de Lula na polarização
É nesse ponto que surge o principal
paradoxo revelado pela pesquisa. Embora o campo petista seja numericamente
maior do que o bolsonarista, a
identificação ideológica mostra um país mais inclinado à direita do que à
esquerda.
De acordo com o levantamento, 57% dos entrevistados se definem como de
direita ou esquerda, sendo:
·
35% de direita
·
22% de esquerda
Outros segmentos se distribuem no
centro:
·
7% centro-esquerda
·
17% centro
·
11% centro-direita
·
8% não souberam responder
Ou seja: o eleitorado que se vê como “de direita” é significativamente maior do
que o que se vê como “de esquerda”, mesmo em um cenário em que o grupo
identificado como petista é maior do que o bolsonarista.
Trânsito de votos
expõe contradições ideológicas
Outro dado destacado pela reportagem
reforça essa complexidade: a autodeclaração ideológica não determina de forma
automática o voto.
Entre os que se disseram de esquerda, 9% afirmaram ter votado em Bolsonaro em 2022.
No grupo identificado como de
direita, 22% declararam ter
votado em Lula. Isso indica que parte relevante do eleitorado se move
por fatores que não se reduzem à identidade ideológica.
Quando o recorte é feito dentro dos
grupos polarizados, esse trânsito parece menor, mas ainda presente:
·
5% dos bolsonaristas disseram ter votado em
Lula
·
7% dos petistas afirmaram ter votado em
Bolsonaro.
O que a pesquisa
sugere sobre o Brasil de 2026
O retrato traçado pelo Datafolha sugere
um Brasil em que a polarização segue predominante, mas em que as identidades
políticas convivem com contradições profundas. Lula lidera o polo mais numeroso, mas o país se declara majoritariamente de direita, o que tende a
manter o ambiente de tensão política e disputa simbólica em alta.
A pesquisa indica também que, apesar
da centralidade de Lula e Bolsonaro como polos estruturadores, há uma camada significativa que se vê como
neutra, centrista ou sem alinhamento direto, e que pode voltar a ser
decisiva no jogo eleitoral.
Em resumo, o Brasil segue polarizado — mas a
fotografia é mais complexa do que o simples embate entre dois líderes. Ela
revela um país onde a disputa
entre petismo e bolsonarismo continua determinante, mas em que o eixo ideológico direita-esquerda aponta
para uma inclinação conservadora, mesmo quando o petismo aparece
numericamente à frente.
EM TEMPO: A pesquisa aponta um indicativo que sempre defendi: À Direita supera à Esquerda em todo lugar do mundo. À Esquerda não aceita essa realidade e não é por falta de conhecimento das letras. Vou mais além e digo que à Direita contempla cerca de 90% da população brasileira e pelo mundo afora. Acontece que considerável parcela da Direita oscila para a Centro Direita por ser mais flexível e tolerante, capaz de garantir a vitória do presidente Lula. O vice de Lula é o maior exemplo dessa afirmativa. Para ser de Direita é mais simples porque somos bombardeados diariamente pela ideologia das classes dominantes do país. Afinal vivemos em uma sociedade capitalista. Por outro lado, para ser de Esquerda é preciso ser militante e ter uma boa leitura. Ok, Moçada!